Para quem duvidava: Palmeiras x Corinthians é diferente

Para quem duvidava: Palmeiras x Corinthians é diferente

Antero Greco

06 de fevereiro de 2011 | 20h50

Se alguém duvidava que Corinthians x Palmeiras é um clássico diferente, o resultado deste domingo serve para minar ceticismo. O alvinegro entrou em campo pressionado, xingado, ameaçado – e com a perspectiva de levar uma surra. O alviverde se apresentou para o duelo tranquilo, em paz, descontraído e líder do Paulista. Até dominou parte do jogo, mas saiu de campo com invencibilidade perdida, com 1 a 0 na cacunda e ajudou a pacificar o rival.

A história de nove décadas dérbi paulistano é repleta de exemplos de recuperação daquele que estava em pior fase. Para recordar dois casos, apenas: em 1999, o Palmeiras ainda festejava a conquista da Libertadores, quando perdeu o título paulista para o Corinthians. No ano seguinte, o Corinthians tinha um baita time, era favorito na semifinal do torneio continental, mas foi eliminado pelo Palmeiras, na disputa por pênaltis. E assim por diante…

O clássico deste domingo não foi antológico – longe disso. Nenhum dos dois tem elenco formidável. O Palmeiras se acerta na competição doméstica sem alarde, com uma formação modesta e não ostenta favoritismo. Havia colecionado cinco vitórias consecutivas com futebol correto, sem exageros e na base do empenho. O Corinthians encarou o desafio – e a desconfiança da torcida – com a mesma defesa que perdeu na Colômbia, com praticamente o mesmo meio-campo e sem Roberto Carlos, Ronaldo e Dentinho, poupados.

O Palmeiras tratou de colocar velocidade no jogo, com Tinga, Luan, Dinei e Kléber. Mas parou em Júlio César, pra mim o melhor da tarde. O goleiro fez pelo menos cinco boas defesas, a mais importante delas aos 47 minutos do segundo tempo, num chute de Kléber quase na pequena área. Na sequência, ainda viu Patrick cabecear no travessão. Os três pontos devem muito à atuação desse rapaz, que em 2010 ganhou espaço com a saída de Felipe.

Fatal para o Palmeiras foi a lentidão da zaga. Maurício Ramos e Thiago Heleno ganharam todas, enquanto tiveram pela frente Ramirez e Edno, pesados e com pouca movimentação. Com a entrada de William e Morais, tiveram mais dificuldade para acompanhá-los. Tanto que, aos 38 minutos, Morais fez rápida troca de passes com Alessandro, que chutou para marcar.

O resultado acalma o Corinthians, dá tempo para Tite e seus rapazes respiraram. Com dois jogos a menos e com 9 pontos, pode até encostar na liderança. O Paulista é o que resta no primeiro semestre – chance para não desperdiçar. O Palmeiras não entra em parafuso, se mantém na ponta, mas agora é sua vez de aguentar as gozações. É da vida, é desse clássico, diferente dos demais, mágico, inexplicável.

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