Pés no traseiro

Antero Greco

15 de janeiro de 2016 | 19h48

Você vai a uma festa, convidado por um amigo de infância e antes de cantar parabéns come um brigadeiro, não gosta e sai reclamando em voz alta: “O brigadeiro não ficou bom…”.

E, como menino malcriado, você ainda sugere que só dando um pé no traseiro da mãe do aniversariante vai resolver a situação.

Ou seja: a festa não é sua, mas você como menino prepotente se julga no direito de ser um grande sem educação.

Ah que bom que fosse só isso!

Que os grandes negociantes do esporte fossem apenas meninos malcriados à cata de brigadeiros em festas.

Os docinhos são milhões e milhões de dólares.

Dinheiro que rouba a emoção do povo que tanto ama a competição, que teria de ser saudável.

É por conta desses “empresários” que existe o doping, que existem os resultados arranjados, que existem histórias de árbitros, técnicos, goleiros e centroavante que se vendem.

Quando alguém vem e fala alguma verdade, como o dirigente cruzeirense Benecy Queiroz, a denúncia vira um “causo”. Logo se trata de botar panos quentes e sair com as mais variadas explicações e desmentidos. E afastamento para “tratamento médico”.

A investigação da Máfia do Apito da “Placar” – primoroso trabalho dos repórteres Sérgio Martins e Ronaldo Kotscho – ficou no tempo.

As denúncias mais recentes, aquelas de 2005, ficaram na conta de um só: o ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho.

Dinheiro desviado de Confederações, obras mal explicadas do Pan, da Copa e da Olimpíada, e assim vai. Todo mundo que está no Esporte é abnegado…

Enquanto isso os verdadeiros atletas brasileiros vão levando diariamente pés no traseiro.

Mas vai chegar o dia de certa cartolagem levar o pontapé definitivo.

O Jerome Valcke acabou de levar da Fifa – só falta agora ele vir morar no Brasil.

(Com Roberto Salim.)

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