Português endiabrado

Antero Greco

12 de abril de 2016 | 18h20

Cristiano Ronaldo é posudo, como se dizia no meu Bom Retiro. Marrento, para ficar em linguagem moderninha. Vaidoso, para que todo mundo entenda. Até aí não parece haver dúvidas. O sujeito se ama que só.

Mas joga bola demais. O sujeito é craque – e craque aparece nos momentos de decisão. Como aconteceu nesta terça-feira.

O português chamou para si a responsabilidade do jogo que o Real Madrid fez com o Wolfsburg. A equipe espanhola havia perdido por 2 a 0 na Alemanha e corria risco de desclassificação na Champions League.

Quer dizer, cairia fora só se não tivesse Cristiano Ronaldo. O moço sapecou três gols, garantiu o placar de 3 a 0, anulou a vantagem dos tedescos e levou o Real a outra semifinal continental.

Dá para fazer alguma restrição a ele? Nem por sonho ou por má fé. Ele atraiu a marcação, deslocou-se, chutou de tudo quanto foi canto, incomodou, aterrorizou, mandou a bola para as redes.

Certo que a esquadra espanhola é muito superior ao Wolfsburg – e Ronaldo não joga sozinho. Tem diversas estrelas de boa grandeza ao lado dele. Mas foi quem sobressaiu e resolveu.

Dia, portanto, de ser incensado como herói.

E está liberado para admirar-se à vontade no telão do Santiago Bernabéu.

 

 

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