Palestra ruim da cuca

Antero Greco

18 de março de 2016 | 00h21

O jornal “El País” trazia na primeira página uma notícia, com a seguinte manchete: “Montevidéu se veste de verde”.

O palmeirense fanático e desavisado poderia supor: a torcida invadiu a capital uruguaia para ver a estréia do Cuca, contra o Nacional. Não era bem isso. A cidade festejava San Patrício, o Patrick dos irlandeses – com uma celebração com muito uísque, cerveja e música celta, em um pub da Cidade Velha.

No campo do Gran Parc Central não teve festa verde alguma.

O Palmeiras perdeu mais uma vez do Nacional, desta vez por 1 a 0, e viu a situação piorar muito no grupo 2 da Libertadores – pode ser eliminado já no próximo jogo, dia 6 de abril, quando enfrenta o Rosario Central, na Argentina.

Como previa o técnico Gustavo Munúa, o Palmeiras preferiu uma formação cautelosa na estréia de Cuca. E deu no que deu. O Palmeiras entrou em campo com dois laterais (Lucas e Egídio), que abusaram dos erros de passe. E o Egídio abusou das faltas também. O meio-campo foi de uma incompetência incomum: não criou uma jogada com Arouca, Gabriel e Zé Roberto e o time não deu um chute a gol, deixando o goleiro Conde assistir à partida.

Exceto Fernando Prass – que fez uma defesa importante aos 3 minutos – e Allione o resto do time tinha que se envergonhar mesmo. Prova disso, foi a rodinha que os 11 jogadores fizeram ao final dos 45 minutos iniciais para se cobrar no meio do campo: o Palmeiras tinha se curvado ao ataque maciço e às divididas vigorosas dos uruguaios.

O Palmeiras voltou para o segundo tempo com Robinho, no lugar de Egídio, passando Zé Roberto para a lateral esquerda. Cuca também colocou Gabriel Jesus no time, mas tirou o melhor jogador no primeiro tempo: Allione.

Logo aos 3 minutos, parecia que o Palmeiras entraria no jogo: Robinho lançou Gabriel Jesus, que tentou encobrir o goleiro Conde. Foi ilusão. Mais dois minutos e quem marcou foi o artilheiro Nico Lopez, aproveitando um vacilo da defesa palmeirense: 1 a 0.

Aos 21 minutos, Cuca resolveu tentar de tudo: colocou Barrios no lugar de Gabriel. E o Palmeiras ficou um time ofensivo, pelo menos nos nomes que estavam em campo. Gabriel Jesus tentava de tudo, enfrentava os adversários em campo e a covardia da torcida uruguaia, que o ofendeu com gestos racistas, com a estúpida imitação de macaco.

Em campo, ainda deu tempo de Prass impedir outro gol de Nico Lopez. E, no finalzinho, a única jogada digna de um time com a história do Palmeiras: Alecsandro bateu de virada para o gol, mas Conde garantiu a vitória com uma grande defesa.

Cuca sabe muito bem que vai ser difícil o Palmeiras continuar na Libertadores.

(Com colaboração de Roberto Salim.)

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