Paz para Neymar

Antero Greco

23 de junho de 2015 | 19h15

Neymar pisou na bola, arrumou encrenca, foi suspenso, saiu fora da Copa América. Uma baixa e tanto para a seleção brasileira, da qual era capitão e estrela. A CBF desistiu de pedir revisão da pena – quatro jogos – e o rapaz juntou as tralhas, deixou a concentração na segunda e foi curtir férias.

Muita gente desceu a lenha no moço, sob a alegação de que pensou apenas em si e abandonou o Brasil. Não concordo. Neymar apresentou-se normalmente para a disputa do torneio, entrou em campo duas vezes, perdeu a cabeça. Só depois é que arrumou as malas. Poderia ter pedido dispensa, como no passado já haviam feito Kaká e Ronaldo, por exemplo.

Não fazia mesmo sentido continuar no Chile. A troco de quê? De suposta solidariedade? Poderia ser, em circunstâncias normais. Mas o momento dele não é normal. Hipocrisia esconder que tem problemas com a justiça espanhola, por causa da transferência nebulosa para o Barcelona.

A corda antes pendia só para o lado do ex-presidente Sandro Rosell. Agora, se volta também para os Neymars, pai e filho. A cabeça do astro não está legal, leve, tranquila. Se continuasse na concentração, não acrescentaria nada e ainda se aborreceria mais. E de aborrecimento é que a seleção não precisa. Dunga fez bem em mandá-lo literalmente passear.

Neymar pode cuidar com calma do corpo, da mente e sobretudo do bolso e das questões com as leis. Não será pela mancada de agora que fecha o ciclo na seleção. Ainda terá vida longa com a amarelinha.

Sem patrulhamento, que busque a paz e pague o que eventualmente tenha feito de errado. E que tudo sirva de amadurecimento.