Platini, o mito caído

Antero Greco

21 de dezembro de 2015 | 15h05

Michel Platini é um dos gigantes do futebol que vi em ação. Nos anos 80, arrasou com a camisa da Juventus e da seleção da França. Depois, enveredou pelo rumo da cartolagem, se deu bem como organizador da Copa de 1998 e, com o prestígio, se elegeu presidente da Uefa.

Com o futebol europeu a dar as cartas, cresceu a fama de Platini como dirigente eficiente, a ponto de ser apontado como sucessor de Joseph Blatter no topo da Fifa. Agora, tanto um quanto outro caem em desgraça, com a sentença de afastamento por oito anos de cargos no esporte. Na prática, significa quase banimento – certo no caso de Blatter.

O veredito do conselho de ética da própria Fifa é consequência do envolvimento de ambos em ações consideradas ilícitas. A principal seria pagamento da Fifa para Platini, em torno de 2 milhões de euros, por “serviços prestados”. Como esses serviços nunca foram muito claros, resta a nuvem cinzenta a pairar sobre duas cabeças importantes no mundo da bola.

A queda de Blatter não surpreende e era tida como inevitável desde que vários colaboradores e integrantes da “família Fifa” foram presos, após investigações de corrupção lideradas pela polícia dos Estados Unidos. Dificilmente a lama não atingiria a célula-mãe, na Suíça, e por extensão o presidente da entidade. Sempre vale lembrar que Blatter é discípulo de João Havelange.

Blatter se diz perseguido pelos norte-americanos, como represália pelo fato de terem perdido para o Catar a organização do Mundial de 2022. Argumento frágil demais, inconsistente, que não convence nem os parceiros de Blatter. O suíço agora se diz doente e disposto a curtir aposentadoria. Mas, antes, promete limpar o nome dele.

A decepção enorme fica mesmo para Platini. Quem foi ídolo dentro de campo, e com bom trabalho na Uefa, não precisava cair em transações pouco transparentes. A troco de que sujar uma biografia vencedora? Por causa de poder? De uns trocos a mais? Que burrice. Como a tentação cega…

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