Pra que serviu surto de autoritarismo no Fla?

Antero Greco

01 Novembro 2015 | 22h01

Imagino que o torcedor rubro-negro esteja a fazer a mesma pergunta do título deste comentário. Depois de ver o time desnorteado, diante do Grêmio, na tarde deste domingo, em Porto Alegre, deve ter vindo à cabeça dele essa dúvida. E é minha também: de que adiantou afastar um monte de jogadores e continuar a dar vexame?

Se o desejo era ver equipe comportada, aquela que Oswaldo de Oliveira mandou a campo foi, até demais da conta. Tão comedida que sequer incomodou Marcelo Grohe. Foi um amor de visitante: não deu dor de cabeça, não jogou e ainda perdeu por 2 a 0. A sétima derrota nas últimas oito apresentações.

Ah, bom, o Fla teve um momento de bad boy, mas veio da pior maneira. Guerrero tomou amarelo por falta, reclamou, chiou, esperneou, a ponto de levar o segundo em seguida e, por extensão, o vermelho. Ou seja, o atacante que veio para ser a estrela da companhia, amarga jejum de gols e ainda perde a cabeça. Era tudo de que o time precisava num momento como este.

Pessoal, sou contra atitudes autoritárias. Elas podem funcionar, quando funcionam, num primeiro momento. Depois, só acumulam efeitos contrários. Ninguém gosta de trabalhar em ambiente tenso – isso não funciona em lugar nenhum momento. Por que funcionaria no futebol?

O quinteto que saiu do prumo, na avaliação da diretoria de de Oswaldo, poderia ter sofrido outro tipo de bronca. Quem sabe, um papo com cada um em separado e punições variáveis, de acordo com o histórico pessoal. E, de preferência, de maneira reservada.

Bobagem a exposição pública, desnecessário o piti de Oswaldo em entrevista na sexta-feira. Essas atitudes além de inócuas deixam a impressão de que se tentou mudar o foco da questão. E o fato é o seguinte: o Fla voltou ao lugar-comum, depois de excelente início de Oswaldo.