Pragas invadem o Mané Garrincha

Antero Greco

25 de agosto de 2013 | 19h58

O domingo teve motivo de festa, pelo menos para a torcida do São Paulo, uma vez que o time voltou a vencer no Brasileiro (2 a 1 no Flu), após 12 rodadas de jejum. Continua na zona de rebaixamento, porém reagiu – e isso importa muito. Mas a bela tarde de sol foi marcada também por outro episódio da interminável guerra entre as organizadas, agora em Brasília, no intervalo do clássico em que Corinthians e Vasco empataram por 1 a 1.

A confusão ocorreu na parte superior das arquibancadas do Mané Garrincha e envolveu seguidores de uniformizadas corintianas e vascaínas. O corre-corre, o machismo explícito, os socos e pontapés são os que sempre caracterizam a única forma de diálogo dessa gente. Impressionante a expressão de pavor em adultos que, junto com crianças, foram ao estádio apenas para curtir um programa diferente no fim de semana. Esses devem ter se sentido imbecis, por se exporem à ação de extremistas.

Agride o princípio de civilidade considerar rotineiras essas brigas. Avilta saber que não darão em nada, mesmo que haja vítimas. No máximo um pito na delegacia, a assinatura de termo de responsabilidade e, em seguida, autorização para seguir em paz nos ônibus que as levarão para casa, escoltados até pegarem a estrada. Processo? Não tem problema algum, estão acostumadas a isso. E às absolvições ou condenação a serviços sociais.

Trouxas são os que imaginaram estar longe dessa praga. Pelo fato de o jogo ser no Distrito Federal, se supunha que não haveria problemas, porque os fãs de futebol locais têm o hábito, ingênuo e ultrapassado, de ir a campo só para divertir-se. Vacilo, também, da polícia, que embarcou no clima de distensão, sem se dar conta de que as linhas de frente das organizações paramilitares em que se transformaram as tais agremiações percorreriam centenas de quilômetros para demarcar território.

Daí se repetem cenas que há décadas espalham indignação e medo pelo país. Ficam no ar duas questões: 1– pra que serve o sofisticado sistema de segurança, com câmeras ultramodernas, apregoados pelos administradores das “arenas padrão Fifa”?; 2 – como arranja dinheiro essa turma viajar e, acima de tudo, para bancar o valor do ingresso, que custava no mínimo R$ 160? Ou bilhetes não são problema para a casta? Qual o segredo da força desse povo?

Pensando bem, para que adiantaria deter briguentos? Se o caso for fatal, sempre haverá esperança de que tenha sido um menor o autor do crime, com os desdobramentos de praxe. A propósito: o processo sobre a morte do boliviano Kevin Espada foi arquivado no Brasil. Não se viu nenhuma manifestação irada de uniformizada. Já o selinho do Emerson desencadeou ira santa…

 

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