Presidente do SP fala. Mas deixa dúvida no ar

Antero Greco

23 de novembro de 2015 | 21h35

O presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, se viu na obrigação de dar entrevista hoje, em consequência da surra de 6 a 1 sofrida no domingo. O dirigente pediu desculpas ao torcedor, reconheceu a fragilidade da equipe, admitiu que o fiasco é desdobramento da bagunça política no clube e prometeu mudanças para 2016. Muito bem.

O são-paulino deveria ouvir alguma palavra da cartolagem. A humilhação foi pesada demais, porque na casa de adversário tradicional e que fazia festa pela conquista de título. Fora o baile diante de um punhado de reservas, já que os titulares repousavam. Foi dose.

Mas será que o discurso de Leco (como é chamado) passará da teoria para a ação? É possível acreditar em correção de rota profunda, depois de tantas bobagens acumuladas nos últimos anos? Ou tudo não passa de conversa fiada para acalmar a plateia?

Tendo a acreditar, por boa fé, mas também fico com um pé atrás. Desconfiança com papo de dirigente e por ver o que tem acontecido no Morumbi nos últimos anos. O São Paulo se descaracterizou de tal forma que nem parece o clube organizado e vencedor de outrora. Assemelha-se mais a ultrapassadas agremiações de bairro.

O que me faz manter cautela, também, foi outro ponto do pronunciamento do presidente. Ele criticou a falta de comprometimento de alguns jogadores e deixou clara a ameaça de muitas trocas na próxima temporada.

Espera aí: se teve jogador que fez corpo-mole, então deveria ser afastado imediatamente. Porque, se continuar, contamina os demais. Além disso, se ele não deu nomes aos bois os que cumprem a obrigação ficarão cismados, poderão pensar que se trata deles e correm o risco de serem cobrados e criticados pela galera sem razão. E a equipe ainda briga por vaga na Libertadores; requer um pouco de tranquilidade no momento.

Era melhor ter feito jogo aberto e discreto. Como? Sem alarde mandava o técnico interino Milton Cruz afastar os folgados. Se é que os há. Não pode é deixar a dúvida no ar a envolver todo o elenco.

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