Apoio maroto da torcida do Galo para Tinga

Antero Greco

16 de fevereiro de 2014 | 22h04

Houve cenas bonitas no Estádio Independência, na tarde deste domingo, antes do clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro. Jogadores e comissão técnica do Galo abraçaram Tinga, num gesto de apoio contra o comportamento racista de alguns peruanos, no jogo de meio de semana pela Taça Libertadores, diante do Real Garcilaso, em Cuzco. Rivalidade ficou restrita apenas ao tempo de jogo, como aliás deveria ser sempre. O importante era a solidariedade.

A torcida do Cruzeiro também havia feito a parte dela, assim que a delegação voltou para Minas, com faixas, cartazes e outros sinais de que repudiava o que aconteceu fora do País. Não poderia ser diferente com um atleta da casa. Deu apoio logo na primeira hora.

Mas o que me chamou a atenção foi a força que veio da parte dos seguidores do Atlético. Eles não podiam ficar à margem, pois o incidente no Peru foi tema forte em todo lugar, sobretudo em Belo Horizonte, como é mais do que compreensível. Resolveram mostrar carinho com Tinga. Mas pegaria mal se fosse uma coisa muito melosa, piegas. Daí saíram pelo meio-termo e vieram com o corinho significativo: “Ei, Tinga, vai se f… Mas nessa do racismo estamos com você!”

Perfeita, criativa, bem mineira a saída encontrada pela turma do Galo. A “ofensa” é daquelas mais bobinhas e comuns em estádios de futebol, que jogador nenhum liga. E, no contexto do coro, ela perdeu qualquer significado mais pesado. Deu para entender que era uma forma carinhosa de dizer: “Ei, estou do seu lado, mas não posso exagerar porque você é inimigo…”

Gostei. Quem dera se recuperasse o tempo em que a “guerra” se limitava aos 90 minutos, em que se podia zoar à vontade com os rivais. Essa reação felizmente deixou em segundo plano até alguns atos hostis de torcedores na chegada da delegação do Cruzeiro. Não cabe falar agora.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.