Quando Carlos Alberto vai amadurecer?

Antero Greco

29 de abril de 2011 | 14h07

Há jogadores que têm talento, mas lhes falta cabeça. Brincam com a sorte, até serem abandonados por ela. Amadurecem quando não há mais como recuperar o tempo perdido, quando a carreira embicou para o declínio. Carlos Alberto parece seguir esse roteiro antigo, batido, mas recorrente no futebol.  Tem 26 anos e parece um veterano, de tanto que rodou, do pouco que se firmou, das muitas polêmicas em que se envolveu.

O meia que ficou mais famoso pela troca de visual e de clubes do que pelo futebol novamente está em evidência, e não por notícia boa. Na quinta-feira, o Grêmio decidiu dispensá-lo, depois de dois meses e 12 jogos (vários incompletos). Desembarcou no Olímpico em fevereiro para ajudar na campanha na Libertadores e foi devolvido ao mercado muito antes do que se imaginava. Volta do Sul sem deixar saudade, embora na chegada lá tivesse apelado para o discurso, também manjado, do “vou fazer história”. Fez fiasco.

Clube e jogador não se manifestaram a respeito dos motivos reais que levaram ao rompimento precoce. O Grêmio preferiu o silêncio delicado, mas cheio de significados. O técnico Renato Gaúcho garantiu, há pouco, em entrevista à rádio Estadão/ESPN, que tem “carinho” pelo atleta e que vai segui-lo de perto. O papo de sempre… o equivalente ao “fulano terá novos desafios” tão comum nas empresas para explicar demissão de funcionário. Carlos Alberto emudeceu…

Não gosto de rotular pessoas nem de julgá-las. Da mesma forma, não compro ideia de que exista má vontade e complô contra determinados jogadores. Há personagens que perseguem notoriedade de maneira enviesada – e Carlos Alberto está nessa categoria. Será que o mundo está errado ou tem algo com ele, já que em uma década de carreira (pouco menos, até) passou por uma dezena de times? Sem se firmar em nenhum?

 Alguém pode lembrar que foi campeão no Porto, em 2005, então sob o comando de José Mourinho. Foi pouco. Passou uma temporada, apenas, na equipe portuguesa, até ser repassado ao Corinthians, de onde saiu por briga com o técnico Emerson Leão. Transitou por  Werder Bremen, São Paulo, Flu, Botafogo, Vasco (onde teve momento melhor, embora instável). É muito vaivém, que só serve para aumentar o estigma de jogador-problema.

 Carlos Alberto ainda conta com sorte – tanto que se fala até em provável retorno ao Corinthians. É um investimento de risco, a ser bem avaliado. Não custa lembrar que, mesmo afastado, no Parque São Jorge já está Adriano, que merece cuidados especiais… Valerá a pena ter mais um do mesmo estilo?

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