Quarteto da superação

Antero Greco

20 de abril de 2015 | 13h52

+Santos, Palmeiras, Botafogo, Vasco terminaram 2014 com pouco a comemorar e muito com que se preocupar para 2015. Problemas não lhes faltaram. Agora, com quatro meses de temporada, estão na reta final por título estadual. Pode não ser proeza extraordinária, ao contrário de décadas atrás, mas indica que uma importante etapa de superação foi alcançada.

+O Palmeiras é exemplo marcante. No ano do centenário, flertou firme com a Série B. Por um triz não caiu pela terceira vez no período de uma década e pouco. O cenário se mostrava desanimador, principalmente com a constatação de que o elenco era horrível. Um dos piores da história recente do clube. Meia-dúzia, se tanto, teria condições de permanecer.

+Pois veio o desmanche, com a contrapartida de investimentos pesados. Em questão de dois meses, foram contratados 20 jogadores – nem todos de qualidade inquestionável – e a Oswaldo de Oliveira ficou a missão de montar um time competitivo. O técnico ainda não tem bem definido o grupo de titulares, mas conseguiu dar uma cara à equipe.

+A classificação para a final do Paulista, em cima do Corinthians, servirá para aumentar a confiança no projeto tocado por Paulo Nobre e pelo diretor Alexandre Matos. O retorno da política mais agressiva no futebol também se manifesta, com o clube a superar a marca de 100 mil sócios. Ou seja, conta com dinheiro adicional para continuar a garimpar talentos.

+O Santos parecia sem pernas, sem dinheiro, sem time na virada do ano. Por problemas financeiros, vários jogadores foram embora (Aranha e Arouca estão no Palmeiras), e se imaginava desastre técnico em curtíssimo prazo. Enderson Moreira conseguiu estancar a sangria, ao combinar bem veteranos e jovens que restaram, e dar-lhes um padrão de jogo. O treinador saiu no meio do caminho, aparentemente por se desentender com alguns veteranos.

+A troca de comando não mudou muito o Santos. A dupla Marcelo Fernandes e Serginho Chulapa deu conta do recado, assim como Robinho e Ricardo Oliveira fizeram a parte deles em campo ao encorajarem jovens como Geuvânio, Gabriel, Lucas Limas e outros. O Santos chega à sétima final consecutiva do Paulista, em prova de força, no mínimo regional.

+No Rio, a trajetória dos finalistas se assemelha à dos paulistas. Discussões políticas à parte, Botafogo e Vasco ressurgiram com o Campeonato Carioca. Para o Bota, em particular, disputar a taça Rio é impulso tremendo para o desafio de enfrentar a Segunda Divisão nacional mais uma vez (a primeira foi em 2003). Renê Simões recolheu os escombros do elenco que caiu, recuperou Bill e Jobson, formatou uma equipe modesta e acertada. Teve o melhor retrospecto na fase de classificação e vislumbra trajetória decente para voltar à elite em 2016.

+O Vasco tropicou, deu sustos na Segundona, garantiu o retorno à Série A com desempenho abaixo da expectativa. Além disso, teve convulsão política e grana curta. Deu a Doriva a tarefa de se virar com o que estava à disposição e mais alguns contratados com pouco custo. O Vasco está longe dos períodos de glória; porém, encorpa para não fazer feio em âmbito nacional. Ganhar o estadual não deve mascarar falhas, mas servirá como estímulo.