Que surra do São Paulo!

Antero Greco

05 de novembro de 2016 | 22h12

Clássico é clássico e vice-versa reza a tradição de obviedades do futebol. Quando dois times de porte se enfrentam, imagina-se equilíbrio de forças e placar apertado.

Nem sempre, como se viu, no início da noite deste sábado, no Morumbi. O São Paulo deu uma atropelada no Corinthians, lascou 4 a 0, com direito a “olé!” merecido por parte da torcida (única, bom frisar).

Era o desempenho que faltava para a turma tricolor respirar aliviada e dar um bico definitivo em qualquer ameaça de rebaixamento. O sufoco no ano foi de lascar, mas agora dá para pensar direito como não fazer bobagens em 2017. Um placar desse quilate, diante de rival histórico, serve para animar o que resta da temporada e planejar direito o futuro. Sem os furos atuais.

O Corinthians? Bem, o campeão do ano passado atravessa período conturbado, estranho, de transição. Desmontou um grupo vencedor, perdeu o técnico no meio do caminho, trocou de comando algumas vezes e tomou o ponto de interrogação que o São Paulo carregava. Ponto de interrogação que recai sobre diversos jogadores e, por que não?, também sobre Osvaldo de Oliveira. Sim, senhor, quem garante que ele fica para 2017? Já sentiu o peso das cobranças após o jogo…

Jogo que foi dominado pelos tricolores, do início ao fim. O Corinthians não teve pernas, espaço, fôlego, criatividade, coragem para driblar o cerco. Denis praticamente assistiu ao clássico de local privilegiado. Desta vez, não tomou sustos nem gols. Deve até ter sentido o frio esquisito que há sobre a cidade.

O São Paulo fez, talvez, a melhor apresentação no Brasileiro. Talvez, não, certamente. Tudo deu certo, da escalação inicial às substituições. Até as chances que apareceram foram praticamente todas aproveitadas.

Pode-se discutir o lance do pênalti que resultou no primeiro gol, marcado por Cueva. Confesso que não me convenci totalmente. Mas, independentemente disso, o São Paulo jogou muito mais. Na verdade, jogou, enquanto o Corinthians apenas esteve em campo.

Por isso, os demais gols – feitos por David Neres, Chavez e Luiz Araújo – vieram com naturalidade, no segundo tempo. Fora o baile.

Noite para não esquecer, de um lado; para riscar do mapa, do outro.

 

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