Quem acredita em CBF?

Antero Greco

05 de abril de 2016 | 23h37

Um direito sagrado do ser humano é a liberdade de pensamento e de crença. Cada um acredita no que melhor lhe aprouver e não deve ser condenado por isso.

Diante de tal premissa, quem confia na CBF apenas exerce o livre-arbítrio. Mas revela senso crítico bem fraquinho. Porque, aqui entre nós, é difícil botar fé na entidade.

Verdade que dirigentes se esforçam, na tentativa de garantir que são outros tempos na casa do futebol nacional. Fazem, em algumas situações, trabalho de corpo a corpo, visitam redações, marcam encontros. Tudo para provar que ela não é mais a mesma dos tempos daquele ex que se escafedeu nem de José Maria Marin, há quase um ano preso por obra e graça do FBI.

Muito bem. Daí, nesta terça-feira, tem reunião marcada para discutir o trabalho de Dunga na seleção e, segundo o pessoal que cobre a rotina da CBF, até Marco Polo Del Nero participou, apesar de ngativa oficial. Como assim? Ele não está licenciado? Não pediu afastamento para cuidar da própria defesa na Fifa e em outras frentes? Não impingiu o coronel Nunes para guardar lugar?

Como pode, então, aparecer para botar pressão sobre o treinador? Isso mostra como é conto da Dona Baratinha a história de que passou a bola para o sucessor. Revela como é papo furado o marketing de novos ares lá pelas bandas da Barra da Tijuca, na antiga sede “José Maria Marin”.

Quer mais? Gilmar Rinaldi, coordenador de seleções, concedeu depoimento no qual reforçou elogios ao bom trabalho de Dunga e comissão técnica. Isso mesmo depoimento, não entrevista. Ora, para que ser questionado, se é possível apenas passar a versão dele, sem enfrentar a curiosidade e a diversidade de opiniões dos repórteres.

Mas há quem acredita na CBF e na revolução que estaria em andamento. Há quem a considere o Brasil que deu certo.

Acredite, se quiser.

 

 

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