Quem entregou foi o Corinthians

Antero Greco

16 de março de 2014 | 22h08

Culpar outros por erros e fracassos próprios é reação comum. Mesquinha, egoísta, medrosa, mas rotineira. O homem tem reações de grandeza e, falho por natureza, também de covardia. Repare como você vê todo dia, no seu trabalho, em casa, na escola, alguém tirar o corpo fora e transferir para terceiros responsabilidade por algo que não deu certo.

O Corinthians se comportou assim neste domingo. Ou alguns de seus integrantes. Depois do fiasco do 0 a 0 com o Penapolense, com a eliminação consolidada pelo 1 a 0 do Ituano sobre o São Paulo, personagens alvinegros preferiram partir para a acusação ou para a ironia como forma de explicar a decepção no Campeonato Paulista.

Romarinho foi o mais contundente ao dizer que tudo foi armado. Mano tentou rebuscar um pouco a resposta ao dizer que tudo pode acontecer no futebol e “cada um dorme com a consciência que tem”. Ainda acrescentou um lugar-comum, ao lembrar que “os deuses do futebol estão vendo” o que se passa aqui e que, adiante, vão fazer o julgamento deles. Os tais deuses fizeram desabar o mundo no Morumbi, nem deveria ter jogo. E abriram um solzão daqueles em Penápolis.

Que deuses o quê?! Que armação que nada! Por esse tipo de raciocínio, quem entregou a vaga do Corinthians foi o… próprio Corinthians. O time passou um período significativo só a amargar jejum de vitórias. Teve até invasão do CT, com ameaças a jogadores e uma debandada. Paulo André, Douglas, Pato, para ficar em três exemplos.

Em seguida, veio reação, mas o Corinthians falhou num duelo fundamental, o clássico da semana passada com o São Paulo. A derrota por 3 a 2 o deixou no bico do corvo. Mesmo assim, dependia de seu esforço para manter esperança. Para tanto, teria de bater o Penapolense, neste domingo, e ver que bicho ia dar na última rodada.

Não cumpriu a parte que lhe cabia, ficou no 0 a 0 e durante boa parte do jogo tinha menos finalizações do que o dono da casa. E vem falar que o São Paulo entregou para o Ituano? Ora, não joga o suficiente, tem problemas, demora a ajustar-se e a culpa é de outros?

O melhor caminho é fazer autocrítica e retomar o rumo. O torcedor não é bobo de achar que a vaga não veio porque houve mutreta do São Paulo. Mutreta é não ter feito os pontos que o Corinthians precisava. E isso só ele mesmo podia conseguir.

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