Quero gritar gol em mandarim

Antero Greco

08 de janeiro de 2016 | 16h47

Crônica do jornalista Roberto Salim.

Eu quero gritar gol em mandarim.

Como se fala escanteio na língua do Mao? E impedimento?

Estão levando nossos melhores jogadores para a China? Então quero ver os jogos do campeonato de lá. Não passam o campeonato Espanhol, Russo, Ucraniano, Inglês, Italiano, Francês? Eu quero o Chinês.

O Luxemburgo está lá, o Felipão, o Mano.

Tem 25 craques tupiniquins ensinando a moçada, suando a camisa, ganhando dinheiro: o tal do yuan.

Eles bem que poderiam levar também alguns dos nossos dirigentes que estão sendo procurados pelo FBI.

Poderiam levar também alguns de nossos narradores, comentaristas, estatísticos.

Por que não?

Já pensou o clássico entre o Guangzou e o Shandong?

De um lado, Felipão escalando Ricardo Goulart e mandando o time do Guangzou cruzar bolas à moda gaúcha para uma cabeçada salvadora do Elkeson.

Do outro, o Mano todo retrancado com o Shandong, colocando o Jucilei para conter o avanço inimigo.

Um de nossos comentaristas falaria do nó tático com que os técnicos gaúchos se enrolaram.

No intervalo do jogo, os anúncios chineses mostrando passeios pela Muralha da China e viagens de barco pelo Rio Li.

O anúncio do novo filme do genial Zhang Yimou.

E um comercial de alimento falando das graças recebidas por quem come o Bolo da Lua.

E mais um milhão de tipos de chás e pimentas.

E a culinária de Cantão?

Ah, seria muito mais divertido que os campeonatos que passam todo fim de semana.

Pelo menos poderíamos ver nossos ídolos que estão indo embora todo dia.

Estou com saudade de Ricardo Goulart, Luis Fabiano, Paulinho, Diego Tardelli, Renato Augusto, Jadson. Até do “profexô” já sinto saudade, ele que está no Tianjin, da Segunda Divisão.

Ô, “profexô”, como será que se grita gol em mandarim?

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