Quinteto de peso na Libertadores

Antero Greco

16 de fevereiro de 2015 | 18h00

Sei que a primeira pergunta que vem à cabeça do torcedor, ao ver os brasileiros na Libertadores, é: “Dá para ser campeão?” A resposta, óbvia: “Sim.” Neste ano, o país tem cinco representantes de peso na competição e não se trata de patriotada nem chute pra fora imaginar que algum chegue à final, o que tem sido mais do que frequente nos últimos 25 anos.

Corinthians, São Paulo, Cruzeiro, Atlético-MG e Inter têm lastro suficiente para entrar com objetivo atrevido. Para início de conversa, todos já conquistaram a taça ao menos uma vez – e, exceto os mineiros, os demais ganharam também o Mundial de Clubes. Não são paraquedistas, portanto. O que lhes permite sonhar alto, mesmo com rivais do peso de Boca, River, San Lorenzo.

O São Paulo é o que acumula maior número de prêmios, com o tri sul-americano e mundial (92, 93, 2005). A equipe de Muricy Ramalho garantiu vaga como vice-campeã nacional de 2014, manteve a base (apesar da saída de Kaká) e recentemente trouxe o zagueiro Dória e o meia-atacante argentino Centurión. A espinha dorsal é formada por Rogério Ceni, Michel Bastos, Ganso, Luis Fabiano, Alan Kardec, com Pato a correr por fora. O desfio no Grupo 2 é passar por Corinthians e San Lorenzo, o atual campeão. O Danubio, do Uruguai, é o azarão.

O Corinthians beliscou Libertadores em 2012, assim como o Mundial (que também vencera em 2000). Na semana passada, eliminou o Once Caldas, na etapa preliminar, o que o colocou já no ritmo do campeonato. Tem Tite de volta ao comando e conta com a experiência de Cássio, Edu Dracena (juntou-se há pouco ao elenco), Emerson (de regresso após passagem pelo Botafogo), Guerrero, Renato Augusto, Danilo, Jadson. E enfim Vagner Love.

O Inter festejou a hegemonia regional em 2006 e 2010, fora o Mundial de 2006. A campanha no Brasileiro foi boa (terminou em terceiro), mas dispensou o técnico Abel e trouxe Diego Aguirre. O uruguaio não caiu ainda na simpatia da torcida e o Colorado tem rateado no início do estadual Gaúcho.

Como sempre, o elenco tem qualidade – e não seria diferente para quem conta com Réver, Aránguiz, Alex, D’Alessandro, Nilton, Jorge Henrique, Rafael Mouri, Nilmar. O nó de Aguirre é fazer o time funcionar, já nesta terça-feira, contra o The Strongest na Bolívia. As viagens serão desgastantes, pois há ainda Emelec (Equador) e Universidad de Chile.

O Cruzeiro retorna na condição de bicampeão brasileiro e com pretensão de brilhar, como em 1976 e 1997 e, quem sabe?, também obter o inédito título mundial. A equipe de 2014 era forte, mas perdeu gente importante como Ricardo Goulart e Everton Carvalho. O técnico Marcelo Oliveira busca os substitutos ideais e na habilidade de Fábio, Mena, Manoel, De Arrascaeta, Leandro Damião. A estreia será na semana que vem contra o Universitário de Sucre (BOL), no Grupo 3.

O Atlético-MG atingiu o auge em 2013, com jogos épicos e o título. No ano passado, decepcionou e agora tem nova chance, como campeão da Copa do Brasil. O técnico Levir Culpi não mudou a estrutura do time, com Vitor, Marcos Rocha, Dattolo, Josué e outros. Tem condições de avançar e o primeiro teste é contra o Colo-Colo, nesta quarta, no Chile, pelo Grupo 1. A chave tem também Independiente de Santa Fé (COL) e Atlas (México). Viagens cansativas.