Racistas atacam de novo a honra de Aranha

Antero Greco

21 de janeiro de 2015 | 18h20

Os calhordas atacam novamente com atitudes racistas – e o alvo outra vez é Aranha. A reportagem de Gonçalo Júnior, aqui no Estadão (confira em http://migre.me/of2MK ) mostra que o goleiro do Santos tem sido xingado, como ocorrera em agosto do ano passado em jogo com o Grêmio. Com a diferença de que agora os insultos vêm de integrantes da torcida do time dele.

Os estúpidos e covardes machos de internet – aqueles que se escondem atrás de pseudônimos – partem para agressão verbal porque Aranha entrou na justiça para cobrar salários atrasados e, se for o caso, pedir rompimento de contrato. Um direito que qualquer atleta tem, desde que se considere lesado no que foi combinado no momento de assinatura de acordo trabalhista.

O fanáticos se doeram com o que é legítimo e partiram para o ataque. O teor das cretinices é o de sempre – macaco, filho disso, traidor, safado e daí pra baixo. Nem criativos não são os sonsos; falta-lhes vocabulário até para xingar. E não têm caráter para encarar o desafeto frente a frente.

São toscos e se sentem protegidos porque trocam as mensagens em grupo fechado em rede social. Bobagem tremenda, porque o conceito de fechado é facilmente derrubável na Justiça e há tecnologia para detectar os IPs (“identidade” do computador) que estão a usar. A polícia chega neles; basta querer e que haja solicitação de sindicância.

E é caso de polícia, tanto quanto – senão mais – do que o episódio do Olímpico. Na ocasião, torcedores gremistas foram flagrados por câmeras de televisão soltando o verbo pra cima de Aranha. Para azar deles, foram reconhecidos, denunciados e respondem a processo. O Grêmio foi eliminado da Copa do Brasil por causa do mau comportamento de alguns fãs.

Agora não há como denunciar o Santos, pois o destempero dos asnos é fora do âmbito esportivo. Mas a atitude deles pode tornar-se agravante, em relação àquela dos gaúchos. Na época, se alegou (e não totalmente sem sentido) que falaram no calor da hora, na emoção do jogo. Aqui as ofensas são feitas atrás de um computador, em casa; portanto, de caso pensado.

Difícil eliminar a praga do racismo – enraizado na sociedade e que se manifesta no dia a dia. Há o combater, mas ele renasce, como no caso desses jovens (e, em tais fóruns, é grande a participação de adolescentes). Cansa, porém não se pode jogar a toalha.

 

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