Risco juiz no clássico Palmeiras x Corinthians

Antero Greco

28 de abril de 2011 | 19h50

Arbitragem é um caso sério. Sempre dá margem para discussões, especialmente em momentos decisivos. Não é diferente agora, nas semifinais do Campeonato Paulista. A confusão começou com a indicação de Paulo César de Oliveira para apitar o clássico entre Palmeiras e Corinthians. Foi por sorteio, mostrou a Federação Paulista de Futebol.

A presença do experiene árbitro em jogo tão importante não teria nada de anormal, se não tivesse sido antecipada pelo Jornal da Tarde. Na edição de quarta-feira, justamente o dia do sorteio, o diário revelou que Paulo César era o escolhido, por acordo entre os dois rivais. Batata, no começo da tarde, eis que o nome dele é confirmado.

O Palmeiras chiou, garantiu que não havia acerto algum com o Corinthians (que disse o mesmo), pediu que a FPF reconsiderasse a escolha e optasse por outro juiz. A entidade que controla o futebol em São Paulo foi ao contra-ataque e garantiu que não há a menor possibilidade de voltar atrás, porque viraria bagunça. E, claro, defendeu Paulo César.

Gosto do Paulo César e, até prova em contrário, não há nada que coloque em dúvida sua lisura e capacidade profissionais. Mas, em um torneio que se preze, se aparecer um fato que possa suscitar polêmica, o melhor a fazer é recorrer ao bom senso. Esse fato existe – a reportagem do JT. Pelo sim, pelo não, a FPF deveria reconsiderar a escolha.

A substituição não seria o reconhecimento de que houve fraude. Antes, iria tratar-se de uma manifestação de boa vontade e preservaria Paulo César. Imagino como ele se sente desde já e o que não passa pela cabeça dele. Se errar, o que é mais do que corriqueiro para qualquer juiz, vão dizer que foi por esquema (se for contra o Palmeiras) ou por medo (se for a favor). Então, por que correr o risco?

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