Rivaldo, figurante de luxo? Sorte do São Paulo

Antero Greco

22 de fevereiro de 2011 | 12h28

No começo do mês, quando estreou pelo São Paulo com bela atuação e lindo gol, parecia ressurgir o Rivaldo extraordinário, que brilhou sobretudo entre 1994 e 2002. O melhor da seleção na Copa da Ásia mostrou leveza de garoto aliada à experiência de quem correu mundo. O meio-campo tricolor parecia consistente com o craque – e tenho a impressão de que ele mesmo se surpreendeu.

Algumas partidas depois, e uma ligeira contusão na coxa, Rivaldo agora corre risco de tornar-se coadjuvante. Virada rápida demais na perspectiva do astro que está perto de completar 39 anos. Nesse meio tempo, Paulo Cesar Carpeggiani fez algumas experiências na equipe e, aparentemente, encontrou o equilíbrio que desejava, com Jean e Juan como alas, Casemiro e Carlinhos Paraíba na marcação, Lucas mais solto para criar, assim como Dagoberto, este com recente vocação para ‘garçom’.

A fórmula deu certo e o inquieto treinador insinua que pretende mantê-la, com eventuais adaptações, claro. Com isso, também, passou o recado para Rivaldo, que se tornaria opção de banco. O pentacampeão do mundo viraria uma reserva de qualidade ao time, para ser lançado em momentos especiais.

No fundo, sabia que não desembarcou no Morumbi para ser titular direto. Tem qualidade para tanto, mas não tem mais pernas para aguentar o tranco de uma temporada puxada. De qualquer forma, sorte dele por estar, nesta idade, num clube como o São Paulo. E sorte tricolor por ter atleta dedicado como alternativa, mesmo que eventual.

Mesmo assim, não sei como ele vai se comportar, mas essa é a tendência. Lucas é o dono da posição, a nova joia tricolor, e só sai do time por contusão ou indisciplina. (Aliás, o que quis dizer Carpegiani ao dizer que não dará moleza para Lucas, para que não seja como Adriano imperador?) Rivaldo, macaco velho que é, talvez não reclame. Melhor esperar a vez – que pode vir, quem sabe?, em algum instante do clássico de domingo com o Palmeiras.

Fico a imaginar como reagiria a torcida alviverde, ao vê-lo com a camisa tricolor. Duvido que faria a grosseria de vaiá-lo. Rivaldo é desses que marcaram passagem pelo Parque Antártica e ainda tem admiradores. Se bem que o que não falta é espírito de porco – sem trocadilho, por favor.

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