Robinho e Kaká, o reencontro

Antero Greco

08 de outubro de 2014 | 12h50

Nas semanas que antecederam a divulgação da lista oficial dos 23 para o Mundial, especulava-se muito a respeito da possibilidade de Robinho ou Kaká, ou ambos, aparecerem como integrantes da família Scolari. Na véspera da convocação, houve quem cravasse o atacante que voltou ao Santos como presença garantida. Furo n’água, pois o treinador ignorou a dupla, da mesma forma como sequer cogitou de chamar Ronaldinho para a aventura da Copa em casa.

Pois Kaká e Robinho voltam a encontrar-se com a amarelinha. Os dois participaram das expedições à Alemanha (2006) e à África do Sul (2010) e foram parceiros no Milan, de onde bateram asas ao final da temporada passada. Agora terão novas oportunidades, sob o comando de Dunga, que os conhece há muito e bem.

O nome de Robinho constava da relação apresentada duas semanas atrás, para os amistosos com Japão e Argentina em campos asiáticos. O de Kaká apareceu só na sexta-feira, depois da dispensa de Ricardo Goulart, do Cruzeiro, por estiramento muscular.
Dunga estaria, por coincidência, a fazer justiça a dois experimentados boleiros preteridos em 2014? Pode ser.

Não dá para afirmar que se trata de reparação, mas soa como tal. Na verdade, na época nem se armou barulho por causa deles; ao contrário, havia certo consenso de que não apresentavam retrospecto recente para justificar outra incursão em Mundiais. Depois da surra diante da Alemanha e do fecho melancólico contra a Holanda, foram feitas referências aos moços. Lamentou-se a falta de gente calejada para segurar a bronca generalizada.

A Copa já era, ficou para trás, mesmo que o vexame jamais se dissipe. Importa ver adiante – e é justamente aí que a porca torce o rabo. Se Dunga se propôs tocar trabalho de reformulação, de olho nos Jogos de 2016 e sobretudo no Mundial da Rússia, em 2018, não seriam Robinho e Kaká os expoentes.

Os dois cumpriram a maior parte da trajetória dentro de campo – a aposentadoria é questão de tempo, mais ou menos, a depender das condições atléticas de cada um. Não digo que estejam acabados nem que se trata de missão impossível chegarem ao próximo desafio: Robinho completou 30 anos em janeiro, Kaká 32 em abril. Os métodos de preparação – e manutenção – evoluíram muito e podem ser beneficiados.

Apego-me apenas à lógica e ao que aconteceu para os dois nas últimas temporadas. A rigor, desde o Mundial africano nada de significativo os rodeou. Robinho teve passagem razoavelmente longa no Milan, sem jamais se firmar como protagonista. Kaká penou no Real Madrid, encarou muitas vezes a desconfiança de torcedores e técnicos (Mourinho, em especial) e regressou ao Milan em busca do brilho perdido. Não o recuperou em Milão.

Naquele entretempo espoucaram chances, com Mano Menezes e com Felipão. Sem muita consistência. O ressurgimento se deu com o aconchego do lar de origem – Robinho no Santos e Kaká no São Paulo. Encaixaram-se à perfeição, como se jamais tivessem ido embora. São titulares e importantes nos esquemas táticos.

Mas seria essa fase credencial suficientemente sólida para garantir-lhes vida longa na seleção? Não sei. Imagino que possam colaborar numa etapa inicial, que inclua até a disputa da Copa América no ano que vem, no Chile. Depois, a tendência é a de que percam espaço. Se, de fato, Dunga aprofundar a tarefa de levar grupo renovado para a Rússia. Como o futebol, assim como a vida, reserva surpresas, vai que contrariem quaisquer previsões e vinguem? Bom para eles. Tomara que seja igualmente útil para a seleção.

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