Robinho sentiu em Madri como o torcedor é implacável

Antero Greco

19 de outubro de 2010 | 19h02

O resultado de Real Madrid x Milan não é o que me chamou a atenção no duelo de gigantes do futebol. A vitória espanhola por 2 a 0 foi normal – e poderia ter sido mais folgada até. Significativa, pra mim, foi a reação do torcedor local no momento em que Robinho substituiu Ronaldinho Gaúcho aos 27 minutos do segundo tempo. O atacante mal pisou no gramado do Santiago Bernabéu, na noite desta terça-feira, e recebeu uma das maiores vaias de sua carreira. E dá-lhe vaias toda vez em que pegou na bola.

A gente pode considerar normal a atitude negativa do “madridista”. Afinal, qualquer torcedor, em qualquer lugar do mundo, transforma jogador em ídolo, quando está em seu clube, e o vê como inimigo assim que vestir outra camisa. Mas não é esse o caso do fã do Real, que recebeu com carinho Seedorf, que também já vestiu a camsia branca, hoje é do Milan e deixou saudade.

Além disso, em muitas oportunidades, o hincha merengue mostrou jogo de cintura, cortesia, mesmo com rivais. Lembro de umas temporadas atrás, num sábado à noite, em que Ronaldinho comandou o Barcelona, numa vitória antológica em Madri. No final do clássico, com toda a rivalidade que existe entre os dois times e as duas cidades, a torcida aplaudiu o gaúcho de pé. Reconhecimento ao artista.

O madrileno foi duro com Robinho, porque não perdoou sua passagem sem brilho pelo clube e pela forma como se transferiu para o Manchester City, antes de ir para Milão. O “rei das pedaladas” nunca incorporou o espírito do Real, decepcionou quem esperava vê-lo como um dos pontos de referência do elenco e saiu desgastado. No City também não emplacou e encontrou no Milan a oportunidade de se reciclar. As vaias no Bernabéu devem ser levadas em conta por Robinho, servem de alerta e sinalizam o que lhe pode esperar também dos italianos, se não “suar a camisa” rossonera.

O jogo em si foi bom pelo primeiro tempo, sobretudo pelos dois gols espanhóis, quase na sequência, marcados por Cristiano Ronaldo e Özil. O Real envolveu o Milan, não lhe deu espaços e se mostrou sólido, como costumam ser times treinados pelo mascarado e eficiente José Mourinho. No segundo, o Real diminuiu o ritmo e os milaneses continuaram a ter dificuldades. Ibrahimovic e Pato apareceram pouco, assim como o goleiro campeão do mundo Casillas, que fez uma ou outra defesa, para aquecer-se.

Sem chover no molhado, o Real desponta como o forte candidato ao título europeu. Já tem nove e, do jeito que se desenha a competição, o décimo está a caminho.

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