Robinho x Neymar, duelo morno em Milão

Antero Greco

22 de outubro de 2013 | 22h26

Demos ênfase ao duelo que Robinho e Neymar travariam, nesta terça-feira, no jogo entre Milan e Barcelona, pela Copa dos Campeões da Europa, modernamente chamada de Uefa Champions League. Compreendo o enfoque, porque se trata de dois jogadores brasileiros de renome e que atuaram juntos no Santos. Fazia sentido puxar sardinha pro lado de cá. Tomo isso como uma licença poética, normal e nada de ofensiva aos demais atletas.

Muito bem. Na prática, o choque foi um tanto frustrante, pelo menos pra mim. Esperava um clássico mais agudo, nem tanto pelo time italiano, mas pelos espanhóis, por aquilo que apresentaram nas últimas temporadas. Por esse aspecto, a partida deixou gosto de que poderia ter sido melhor, e o placar de 1 a 1 de certa forma refletiu a produção de ambos.

O primeiro tempo teve de bom os gols – o primeiro justamente de Robinho, que se aproveitou de vacilo do sistema defensivo do Barça. O empate veio dos pés encantados de Messi, quase sempre ele, também ao roubar bola em escorregada da zaga milanesa. Mais um ou outro chute de perigo de lado a lado. O segundo tempo começou com mais velocidade, mas à medida que o tempo passava, uns e outros se conformavam com o empate. E fim de papo.

O tira-teima entre Robinho, o ídolo, e Neymar, o admirador, também não foi lá grande coisa. Robinho foi bem, sem nada de extraordinário. Aliás, faz tempo que virou jogador comum. Não é cabeça de bagre, e só tonto diria isso. No entanto, está longe de ser o astro brilhante que pintou no início da carreira. A ponto de ter aproveitamento esporádico no Milan. Valeu pelo gol e ainda perdeu chance de fazer o segundo.

Neymar apareceu mais no primeiro tempo – e o “mais” é uma maneira de dizer. Teve dois lances bonitos e muita movimentação. Porém, recebeu poucas bolas. Na segunda etapa, ficou descaradamente aberto na esquerda, preso supostamente a pedido do técnico Martino, e tocou meia dúzia de vezes na bola, se tanto. Não tenho cismas nem coisas do gênero, mas o pessoal do time parece que não o enxergou e só jogou pelo meio e na direita.

No fim, Robinho e Neymar trocaram camisas, como sinal de mútuo respeito. E, nessa, quase passava batida a atuação de Kaká. Ficou um tempo em meio em campo e se mostrou útil. Não o suficiente, ainda, para que reúna clamor em torno de possível retorno à seleção.

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