Rogério, o pênalti e o mau pressentimento

Antero Greco

13 de outubro de 2013 | 20h57

Mais ou menos, todos temos algum tipo de superstição, pressentimento, cisma e coisas assim. Pra mim, sem ser agourento, pênalti decisivo perdido dois ou três minutos antes do apito final, pode representar mau sinal. Principalmente, se o time que desperdiçou a chance luta para tirar a corda do pescoço.

Pois foi o que senti ao ver Rogério Ceni bater nas mãos de Cássio o tiro livre que daria a vitória ao São Paulo no clássico com o Corinthians, na tarde deste domingo, no Morumbi. A vitória igualaria os dois rivais em pontos ganhos – ficaram com 36 –, mas passaria tricolores à frente de alvinegros, nos critérios de desempate. A diferença, afinal, continuou nos três pontos.

Rogério é especialista em faltas e pênaltis, raríssimo caso de goleiro-artilheiro no futebol mundial, capitão e experiente pra chuchu. Natural que se apresentasse num momento tão delicado para acabar com dúvidas, mandar tabu para o espaço e festejar no vestiário.

Daí, quando o Rogério fez aquela cara de decepção e espanto, me passou pela cabeça o risco que o São Paulo corre de amargar pela primeira vez a Segundona nacional. Ok, ainda está fora da zona de rebaixamento, porém bem colado nela. Ao menor vacilo, vapt!, pode ser superado por Criciúma ou Vasco, os dois que se esforçam para respirar. Ponte e Náutico sucumbiram.

Sei que Rogério levou, e levará, lambadas pela falha – e não é a primeira no Brasileiro de 2013. Mas era ele quem deveria ter tomado a responsabilidade da cobrança – e ele não se esquivou. Apresentou-se, foi lá e chutou. Correu o risco da consagração ou do escracho. Desta vez, prevaleceu a segunda opção, infelizmente para ele epara o São Paulo.

Noves fora a pisada de bola, Rogério Ceni fez duas defesas difíceis na partida e foi um dos responsáveis pelo 0 a 0, resultado que não serviu para aliviar nenhuma parte. O jogo teve ritmo bom no primeiro tempo, caiu no segundo. E mostrou, sobretudo, duas equipes que hoje parecem sombra pálida de tempos melhores.

Um campeonato para ambas esquecerem – claro, desde que nenhuma termine na parta funda da classificação.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: