Romero e polêmicas estéreis

Antero Greco

06 Março 2018 | 20h15

Amigos, se me permitem chamá-los assim, vamos falar um pouco do Romero? Sim, o moço que joga no Corinthians, paraguaio como Arce, Romerito, Gamarra, Balbuena. Nosso vizinho mandou muita gente boa fazer fama e (assim espero) fortuna por aqui.

No domingo, depois do jogo pegado que Santos e Corinthians fizeram no apagado Pacaembu, Romero saiu de cabeça quente, por discussão com David Braz, falou um monte e fechou o desabafo com um: ‘Time pequeno”, para falar da festa do adversário pelo 1 a 1.

Foi um deus nos acuda. A declaração parecia decretar o fim dos tempos e desencadeou chuva de celeuma e debates estéreis. Santistas ficaram possessos e não lhe faltaram críticas por parte da imprensa. Algumas, dizem, com exageros. (Escrevo dizem porque não vi – e isso pode ser falha minha.)

Bem, Romero foi deselegante ao fazer tal afirmação. Tanto que tentou limpar a barra, ao chamar repórteres para um desabafo na tarde desta terça-feira. Disse que não disse o que disse, ou que não era bem assim, etc e tal. Que, claro, que o Santos é grande, que não negaria Pelé, Robinho, Neymar e por aí vai.

Só que, na ânsia de justificar-se, alegou que manteve silêncio para ver o que diziam dele. E ficou estarrecido com postura de xenofobia da maioria da imprensa. Pede análise para o que faz em campo e não admite ofensas ao país dele. No que está correto: eu espumaria de raiva se falassem com preconceito a respeito do Brasil. Preconceito jamais.

Mas, para não tomar mais seu tempo, fecho a conversa com algumas observações e sugestões. Uma delas: se houve excesso nas críticas ao Romero, no que se refere a racismo, ele tem o direito e o dever de denunciar. Dar nomes aos bois. Ou melhor: de chamar os bois (ou antas) para se explicarem na Justiça. Só assim para combater xenofobia.

Outra coisa: nem é para tanto barulho o que ele falou. Quantas vezes, no calor de uma discussão, soltamos uma besteira quilométrica, na qual nem nós acreditamos? Ofendemos para provocar o oponente. Depois, com cabeça fria, percebemos a bobagem, voltamos atrás, procuramos o desafeto, pedimos desculpas e tratamos de reatar.

Creio tenha sido isso que aconteceu com Romero. Bastava, portanto, que viesse a público nesta terça-feira para dizer só um “Pessoal, falei aquilo de cabeça quente. Desculpe aí o mau jeito. E o maior carinho e respeito pelo Santos.”

Simples e direto. E bota no pau se alguém exagerou e se comportou como racista cretino.