Ronaldinho continua na seleção por falta de opções?

Antero Greco

14 de fevereiro de 2012 | 11h54

Admito que seleção não me encanta – e já faz tempo. Expliquei os motivos inúmeras vezes. Um deles é o fato de ter virado uma entidade distante da gente, por apresentar-se quase sempre no exterior, com maioria de jogadores que trabalham longe daqui e são admirados pelos gringos. Não deixam de ser brasileiros, mas se tornou frágil a relação da “amarelinha” com o público local. Sei, quando vier a Copa tudo muda… seremos todos Brasil-sil-sil!!!

Daí não me empolgar com a convocação feita por Mano Menezes agora há pouco. É, tem lista nova para a seleção, não sabia? Para o amistoso do dia 28 com a Bósnia, na Suíça. Vai entender… O treinador chamou seus pupilos para iniciar mais uma temporada. Com a promessa de que a permanência dos moços será mais consistente. Ou seja: dá a entender que diminuirá o ritmo no rodízio de nomes. Será?

O que me chamou mais a atenção foi a presença de Ronaldinho Gaúcho. O técnico disse que se trata de coerência com o astro do Flamengo, relegado por seu antecessor e até por ele mesmo, e só resgatado no fim do ano passado. Agora, terá novas chances. Ronaldinho é o grande nome desse grupo – releve, por enquanto, Neymar. E toda seleção brasileira que se preze precisa ter estrelas, uma que seja. Sob esse aspecto dá para compreender a lógica da convocação. Só por esse.

Pelo futebol que tem mostrado, não. Ronaldinho continua a exibir lampejos do extraordinário repertório que anos atrás encantou plateias no mundo todo. Não é de agora que virou sovina em sua arte. Ela aparece de vez em quando, num lance mais bonito, num drible, num lançamento, num chute a gol. Mas é intermitente, parece um pisca-pisca.

Espera-se sempre mais de Ronaldinho, e ele nega. Num momento, parece que voltará a ser aquele jogador endiabrado da época do Barcelona. Em seguida, retoma o modorrento e displicente ritmo que incorporou há várias temporadas.  Responda, sem pensar muito, quais os recitais recentes memoráveis que ele deu? Só vem aquele jogo com o Santos, na Vila? Pois é.

O retorno de Ronaldinho é menos reconhecimento de um talento incomum ou prêmio à regularidade, e mais constatação de que carecemos de um maestro na seleção. De um camisa 10 à altura do que já foi o próprio Ronaldinho. Ganso era visto como o sucessor natural. Ainda pode ser. Mas o moço santista anda sem graça. Kaká segue trilha semelhante à de Ronaldinho, só que a instabilidade dele se deve a vários problemas físicos e ao fato de não ter se firmado no Real Madrid. Oscar, em ascensão, tem tempo para amadurecer.

(A convocação está aqui: http://migre.me/7V9N1 )

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