Ronaldinho Gaúcho, ou a hora da estrela

Antero Greco

27 de fevereiro de 2011 | 22h12

A gente define grande jogador pela técnica acima da média. É consenso. Mas o sujeito para brilhar precisa contar também com a ajuda de anjo da guarda, fada madrinha, pai de santo, duende ou sei lá que entidade com poderes extraordinários. Caso contrário, não adianta ser bom de bola. Com zica, não há talento que resista.

Taí o Ronaldinho Gaúcho que não me deixa mentir. Ele não fez ainda uma apresentação inesquecível pelo Flamengo, mas entra pra história como o jogador que decidiu a Taça Guanabara de 2011. Com o gol de falta, desatou o nó diante do Boavista, garantiu o 1 a 0 e a volta olímpica. Foi um tapinha mortal, já no segundo tempo. À maneira de Zico e Petkovic, como lembraram os rubro-negros. Ou de Zenon, Rogério Ceni, Marcos Assunção e tantos especialistas da bola parada.

Merece, portanto, a badalação que houve depois do jogo e que certamente dominará as mesas-redondas da noite deste domingo e os jornais de segunda-feira? Sim, merece. O futebol vive desses momentos, tem seus heróis da hora – e o de agora é Ronaldinho Gaúcho. Os céticos ou aqueles que enxergam futebol como ciência que me perdoem, mas há momentos em que cabem os exageros. Se esporte é emoção, por que reprimi-la?

Quantas vezes a gente não incensou um jogador esforçado, meia-boca, que roubou a cena numa determinada partida? Muitas, não é mesmo? Então, hoje é a vez de Ronaldinho Gaúcho, bom pra burro e que estava precisando de uma levantada de bola.

Não é nenhum pecado, pois o mesmo aconteceu até recentemente com Ronaldo. Várias vezes, já no Corinthians, o Fenômeno recém-aposentado passava a partida em branco. Até que, de repente, aparecia para um passe decisivo ou para mandar a bola para o gol. E no dia seguinte aparecia: “Ronaldo salva.” Pois hoje é “Ronaldinho decide.”

Espero que o brilho na primeira parte do Estadual do Rio estimule Ronaldinho e seja permanente. Há muito que quem ama o futebol (com licença, me incluo nessa) torce para que o gaúcho reapareça com força total e encante. Porque também tem o seguinte: o tempo vai passando e daqui a pouco, num vapt-vupt, chegará o dia em que ele vai pendurar as chuteiras. Como qualquer mortal. Então, pés à obra, Ronaldinho!

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