Ronaldo contra o sistema

Antero Greco

10 de dezembro de 2015 | 20h43

Ronaldo parou de jogar, mas continua com excelente senso de colocação. Como centroavante goleador que foi, sabe a hora de dar o bote nas defesas desguarnecidas. Fez muitos gols assim dentro de campo, tenta repeti-los fora, nas atividades que exerce.

Agora, por exemplo, não poupa críticas à CBF e ao sistema do futebol brasileiro, que considera corrupto. Já faz algum tempo mostra frustração com o que ocorre na entidade e expõe o pensamento em público. Mantém distância da cúpula e admite que sonha, um dia, em ser presidente da CBF.

Ronaldo, no entanto, conviveu com pessoas que hoje rejeita. Em 2011, quando a batata de Ricardo Teixeira assava forte, aceitou convite dele para ser “homem forte” no Comitê Organizador da Copa. No momento em que o ex-presidente saía de cena, dizia que se tratava de alguém que havia feito muito pelo futebol do País.

Nos dois anos seguintes, apareceu incontáveis vezes ao lado de José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, sucessores de Teixeira na CBF e integrantes do COL. Não se mostrava incomodado com a companhia.

Também defendia a realização do Mundial – “A Copa não se faz com hospitais”, declarou em certa ocasião. Mas às vésperas da competição, e com o clima eleitoral a esquentar, criticou o governo, se disse frustrado e declarou apoio ao amigo Aécio Neves.

Tudo o que fez, porém, foi para servir ao futebol brasileiro e à pátria.

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