Ronaldo e Bebeto precisavam disso?

Antero Greco

16 de fevereiro de 2012 | 18h25

Ronaldo e Bebeto são homens feitos, conhecem o mundo do futebol e seus bastidores, foram profissionais de sucesso. Campeões do mundo, ricos, com portas abertas em qualquer lugar. Por isso, dói, constrange vê-los posarem ao lado do dono do poder e se portarem  como garotos-propaganda de um dirigente desgastado, que tem rejeição popular irreversível.  

Será que são tão ingênuos a ponto de acreditarem na missão que lhes foi confiada – de amenizar a desconfiança  em torno das pessoas que, de fato e na prática, tocam os projetos do Mundial? Será que lhes passa pela cabeça que serão, de verdade, executivos nessa empreitada? Caíram no canto da sereia de que receberão de mão beijada tarefa tão invejada?

Ronaldo e Bebeto são retrato da mentalidade média dos jogadores de futebol, que não confiam em sua capacidade, não apostam em sua independência, desdenham de seu carisma e se curvam aos cartolas. Mesmo acima dos dirigentes, não se desvencilham de sua influência, comportam-se como cordeiros e tentam beliscar migalhas que lhes são jogadas.

Ronaldo e Bebeto não precisavam colocar em sua biografia essa experiência que agride seus admiradores (pelo menos aqueles que têm senso crítico). Podiam elegantemente recusar a proposta e seguir suas trilhas, que são vencedoras. Ronaldo virou empresário de sucesso em apenas um ano desde que pendurou as chuteiras. Pode ganhar muito mais até do que acumulou como fenômeno dos gramados. Será que precisa do aval oficial?

Ou será que o ingênuo nessa história sou eu mesmo e estou a queimar neurônio à toa? Pode ser que no fundo era isso mesmo que eles desejavam: fazer parte da “família”, aproximar-se do poder. Mexe e remexe,  não são diferentes nem especiais. E me ocorre outra coisa: tem muita gente por aí que está apenas à espera de um aceno, para  abanar o rabo e fazer festinha para receber um biscoitinho do dono, como o totó que temos em casa.

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