Roma troca de técnico. Mundo da bola é igual

Antero Greco

14 de janeiro de 2016 | 19h09

Lembra do papo de que europeu não troca de técnicos à toa, que eles apostam em trabalhos de longo prazo, ao contrário do Brasil? Pois é, esse mito esfarela-se a cada temporada. Nos grandes centros, virou prática frequente dispensar “professor”, se os resultados não aparecem. Até logo, passar bem, obrigado por tudo e vida que segue.

O Real Madrid fez isso, dias atrás, com Rafa Benitez. Agora, foi a vez de a Roma despachar o treinador, no caso Rudi Garcia. O francês era visto com desconfiança, já há algum tempo, e despencou depois de a equipe completar dez jogos sem vitória. De quebra, houve a desclassificação na Copa Itália.

Para o lugar de Garcia voltou Luciano Spaletti, velho conhecido dos romanistas. Ele comandou a equipe no período de 2005 a 2009. Na época, conquistou duas vezes a Copa Itália. Depois, se mandou para a Rússia, onde dirigiu o Zenit de 2009 até 2014. A contratação foi confirmada nesta quinta-feira.

A Roma agora pertence a milionário americano – que, como todo financista, cobra objetivos alcançados. Tem aquela conversa mole de prestigiar os executivos do clube, dentre eles o técnico, e confiar no trabalho. Isso vai até a página 5. Acumulam-se tropeços? Então, no melhor estilo brasileiro, pé no traseiro do comandante da tropa e espaço aberto para outro. E vida que segue.

Nem questiono se a atitude foi correta. Garcia andava mesmo com bola murcha na Roma, que tem elenco razoável e pretensão grandiosa.

Isso é bom para a gente, aqui, parar de ver os europeus como tolerantes e menos imediatistas.

O mundo da bola fica cada dia mais igual.

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