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Antero Greco

28 de setembro de 2010 | 13h15

O Palmeiras é um clube em que a insensatez faz parte da rotina. Quando mais precisa de equilíbrio e serenidade, aparecem incendiários. Sempre há um de plantão. A bola da vez é Salvador Hugo Palaia. O primeiro vice-presidente assumiu interinamente o lugar do presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, afastado por problemas médicos, e como medida inicial destituiu a diretoria de futebol.

A decisão de Palaia, anunciada na noite de segunda-feira, atinge Savério Orlandi, Gennaro Marino e sobretudo Gilberto Cipullo, que era o responsável pelo setor. O presidente interino não estava satisfeito com o modelo administrativo, prefere trabalhar com uma comissão de notáveis e ainda promete auditoria, para apurar gastos e receitas. Palaia acompanhará o trabalho de perto, com a experiência de quem já foi diretor de futebol em algumas gestões – sem resultados expressivos. Em sua última passagem, em 2006, foi substituído por Cipullo, que o criticou e agora levou o troco. O Palmeiras funciona assim.

A canetada de Palaia provocou descontentamento e divide mais o Palestra, que ferve nos bastidores. A luta pela sucessão andava solta, mas um tanto discreta, porque a figura de Belluzzo, embora desgastada, tem respaldo de vários de setores do Conselho. Agora, porém, está escancarada. Daqui para a frente, contarão mais os conchavos políticos do que acertos e erros da equipe no Brasileiro e na Copa Sul-Americana.

O estatuto prevê eleições para o início do ano que vem e a esta altura não se desenha o tradicional confronto entre situação e oposição. Na prática, os dois lados se fragmentaram em diversos grupos, cada um a reivindicar o direito de concorrer à presidência. Difícil, hoje, é saber no Palmeiras quem está a favor e quem é contra. Palaia é um dos candidatos a candidato.

O departamento de futebol é um dos principais focos de endividamento do clube – e há muito tempo campo fértil para ataques do grupo que eventualmente estiver fora do poder. Como os resultados em campo também não aparecem, há espaço para medidas com essa de Palaia.

Na prática, se trata de mais um capítulo de briga pelo poder. No fim, quem perde é o torcedor comum, para quem pouco interessam alianças e desavenças de cartolas. E a nave do Palmeiras continua à deriva…

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