Rumo certo*

Antero Greco

21 de novembro de 2012 | 12h33

O Corinthians passou a maior parte da temporada em busca de patrocínio para a camisa. No início, fincou o pé em R$ 50 milhões. Diante de mercado conservador, topou negociar por valores menos ambiciosos. Até que, semanas antes da disputa do Mundial de Clubes, conseguiu fechar acordo – e com a Caixa Econômica Federal -, anunciado anteontem. Bateu o martelo por R$ 30 milhões, uma soma nada desprezível.

Apareceu o parceiro e se alastraram comentários pouco elogiosos ao compromisso assumido pelas partes. Muitos já colocam em dúvida a lisura da transação, interpretada como nova ajuda estatal ao clube. Não faltaram ligações com as benesses, indesmentíveis, recebidas para a construção do estádio, assim como se enxergou a mão do ex-presidente Lula, que dá sua forcinha. Sim, o Corinthians tem proximidade com o poder…

Viramos gente desconfiada, quando se trata de atuação de entidades públicas no esporte. Por tantas situações obscuras, há tendência para se detectar maracutaia na mais singela ação. Da mesma forma, não se deve descartar dose aguda de dor de cotovelo, sentimento tão antigo quanto o homem. O sucesso alheio incomoda, e nada melhor do que desmerecê-lo, para aplacar a inveja.

Até prova em contrário, Corinthians e Caixa selaram contrato comercial como ocorre todos os dias, em qualquer área. O clube aceitou a oferta, por considerá-la ajustada a necessidades financeiras dele. O banco viu oportunidade de expansão de negócios com esse meio de divulgação da marca. E é disso que se trata: estratégia publicitária. A Caixa tem concorrentes fortes que descobriram a importância do futebol, e partiu para o contragolpe no mesmo terreno.

O ensaio começou meses atrás, com pactos semelhantes, embora mais baratos, com Avaí, Atlético-PR e Figueirense, até chegar ao Corinthians, com ou sem padrinho influente. A diferença de investimento é compreensível, e não há comparação entre o apelo dos times do Sul em relação ao do paulista. Por mais que simpatizantes de outras agremiações se sintam incomodados, é incontestável a expansão alvinegra. E, pelas regras capitalistas, normal que ele receba mais.

O Corinthians está em evidência, também, pelo desempenho em campo. Logo mais estará no Japão, em evento de alcance global; em 2013, disputará outra vez a Taça Libertadores, fora as competições nacionais de praxe. Como dá audiência, aparecerá muito na televisão aberta. Ou seja, vive um círculo virtuoso que o favorece. Maré mansa que naturalmente atrai interessados em convênios.

O Corinthians tem uma interessante atividade de marketing, isso é inegável. Muitas vezes exagerada, com mais barulho do que resultados. Já foram vários os tiros n’água, e embarcou neles quem quis. Mas, melhor atrever-se, com risco de errar, do que acomodar-se e perder o trem da história. Com esse ajuste, o campeão da América dá salto de qualidade e mais um passo para amarrar o burro na sombra. Bem nutrido e saciado.

Dia de luz, festa de sol…Pegou mal a incursão de Arnaldo Tirone à praia do Leblon, na segunda-feira, poucas horas depois de o Palmeiras ter sido rebaixado. Como cidadão, tinha o direito de ir onde quisesse. Pelo cargo que (ainda) ocupa, o bom senso e a responsabilidade indicavam que deveria estar em São Paulo, em reunião com a diretoria e a mostrar-se solidário com os milhões de torcedores tristes. Tirone não o fez por mal, mas por despreparo. O leve bronzeado o queimou de vez com os palestrinos.

 *(Minha crônica no Estado de hoje, dia 21/11/2012.)

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