Salvação da lavoura*

Antero Greco

23 de outubro de 2013 | 12h35

A vida está mansa, no momento, para os dois gigantes do futebol mineiro. O Atlético-MG neste ano levantou a Taça Libertadores e pode encerrar com outro sucesso inédito, desde que conquiste também o Mundial de Clubes. O Cruzeiro administra como quer a enorme vantagem, na ponta do Brasileiro, e só desastre inominável para tirar-lhe o título. Estão em paz consigo mesmos e, por extensão, com as torcidas deles. Merecem.

Há muita gente, porém, sôfrega por beliscar algo antes da virada da folhinha. Só assim, para compensar frustrações ou para pegar carona na competição continental do ano que vem. Copa do Brasil e Sul-Americana são os caminhos que restam para peixes graúdos como Grêmio, Botafogo, Corinthians, Flamengo, Inter, São Paulo, Vasco e outros terem planejamento de caixa mais confortável.

Um dos que se agarram a torneio alternativo é o São Paulo. A situação não anda tão feia assim na Série A, se bem que o perigo do rebaixamento não foi chutado definitivamente pra escanteio. Ok, com boa vontade, vamos admitir que a participação na elite doméstica daqui em diante servirá para diminuir o papelão. A má impressão desaparecerá, em grande parte, se vier o bi da Sul-Americana. Tarefa meio ingrata, pelas circunstâncias, mas possível.

Muricy e seus rapazes estão com a pulga atrás da orelha e divididos entre a ambição e a realidade. Existe o desejo de faturar outro troféu, ao mesmo tempo em que persiste a preocupação com uma eventual queda de divisão. O duelo com a Universidad Católica, no Chile, atuará como sinalizador. Se seguir adiante (1 a 1 no Morumbi), o São Paulo deve animar-se, nas duas frentes. Não custa caro (espero) acreditar.

O raciocínio se aplica ainda ao Sport (perto de voltar para o grupo principal) e que recebe o Libertad, para o qual perdeu por 2 a 0 em Assunção. O Coritiba vai mal das pernas no Brasileiro e amanhã visita o Itagui, que o derrotou por 1 a 0 em Curitiba. O Bahia, outro com a corda no pescoço, recebe o Atlético Nacional, da Colômbia, com a desvantagem de 1 a 0. Têm chance.

Bom ficar de olho na Copa do Brasil, já tradicional e com duelos interessantes e equilibrados. Todo mundo no páreo. Salvo engano, o clássico mais quente está marcado para Porto Alegre, onde o Grêmio joga com o Corinthians. Epa, outra vez?! Calma, na semana passada, foi pela Série A, e o tricolor gaúcho ganhou por 1 a 0. Pela Copa, o primeiro confronto ficou no 0 a 0.

Não se deve desprezar equipes que se fartaram de dar volta olímpica no certame. Mas, a seco, diria que o Grêmio tem vantagem, por ser o mandante, pela estabilidade e por contar com elenco mais inteiro. Renato Gaúcho se concede o luxo da manter Elano e Zé Roberto no banco – se bem que, ultimamente, ambos não desequilibrem. Nunca se sabe quando podem aprontar…

Tite aposta na turma de sempre, com baixas de peso como Cássio e Guerrero. A propósito do atacante: os médicos peruanos o dispensaram da seleção sob o argumento de que tinha problemas no pé. Os daqui falaram que era coisa de pouca monta. Agora, vem a notícia de que deve operar-se. Que barulho!

O Vasco cambaleia no Brasileiro, chafurda no Z-4, o clima esquenta em São Januário e se apega à Copa como âncora, ao receber o Goiás, com 2 a 1 contra. Pela lógica, passa a turma do rechonchudo e talentoso Walter. Flamengo x Botafogo é pra prognóstico enrolado: 1 a 1 na ida e os dois em período de turbulência. O Atlético-PR, se caprichar em casa, elimina o Inter, após 1 a 1 na partida anterior. Trata-se de dois times imprevisíveis.

Complicado cravar favoritos, e não é muro. Faltam esquadrões por aqui, eis a realidade. Infelizmente.

*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, 23/10/2013.)

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