Santos desorientado e sem Bielsa

Antero Greco

17 de junho de 2013 | 14h12

Há algum tempo escrevi que o Santos parecia sem rumo. A má impressão se reforçou com os acontecimentos recentes, da demissão de Muricy à transferência de Neymar para o Barcelona, passando pela acentuada queda de produção em campo. A equipe que duas temporadas atrás chamava a atenção por futebol bonito agora se desmancha.

O mais novo episódio a indicar que o clube saiu dos trilhos vem com a frustrada tentativa de contratar Marcelo Bielsa. O técnico argentino, com mais nome do que títulos, virou objeto de desejo santista como forma de iniciar a reconstrução e sobretudo como alternativa para acalmar os ânimos dos apreensivos torcedores.

Bielsa percebeu a tensão do Santos, pediu alto e teria exigido seis meses para assumir de fato o comando do time. Nesse período, atuaria mais como coordenador, manager ou algo similar e assim teria tempo de conhecer o grupo e o futebol brasileiro por dentro.

Do ponto de vista de Bielsa, estratégia adequada. Ele não entraria no barco sem saber como está o mar e com qual tripulação conta. Para o Santos, não serve, porque a necessidade é para agora. Não há essa folga para experiência nova, o que também não surpreende: nossos clubes raramente fazem planejamento de longo prazo.

O foco passaria a ser outro estrangeiro, o que pode resultar em mais um factoide ou negociação frustrada. Na verdade, o Santos precisa analisar por que se despedaçou em curto espaço de tempo. Foi atrevido ao segurar Neymar (que, agora se viu, estava no mínimo apalavrado com o Barça há quase dois anos), e isso merece elogio.

Mas, se o astro iria bater asas, como ocorreu, por que não tratou de cuidar bem da fase de transição? Por que esperou que a situação degringolasse? O Santos dormiu com o sonho de segurar por muito tempo ainda um craque e acordou com o pesadelo de estar sem padrão, sem qualidade, sem direção. E, pior, sem o astro.

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