Santos e Larrionda: sem teoria da conspiração

Antero Greco

23 de maio de 2011 | 15h19

Sites têm destacado o erro de Jorge Larrionda no jogo em que a Alemaha despachou a Inglaterra na Copa da África. Você lembra: foi um chute de Lampard que bateu no travessão e caiu mais de meio metro pra dentro do gol. O árbitro uruguaio e seus auxiliares, no entanto, não viram nada de anormal, mandaram prosseguir a partida. Pouco depois, os alemães marcaram e os britânicos ficaram furibundos. Mancada daquelas do apitador e seus bandeirinhas.

Pois Larrionda está escalado para o jogo que o Santos faz depois de amanhã com o Cerro Porteño, pela semifinal da Taça Libertadores. Motivo de preocupação? Sim, como para qualquer arbitragem, sempre sujeita a escorregadas. Claro que o erro dele no Mundial foi constrangedor, mas de forma alguma eu iria pensar em roubalheira para prejudicar a Inglaterra. Isso é muito simplista.

Larrionda não estava comprado, até prova em contrário. E, se houvesse interesses estranhos em jogo, não seria num momento como aquele que os súditos da rainha Elizabeth seriam garfados. Não funciona mais assim. A gafe foi tão evidente, mas tão clara, que só pode ser computada mesmo a vacilo mastodôntico. Larrionda deve computar aquele episódio como o mais contransgedor de sua carreira.

Há torcedores preocupados com o fato de Larrionda ser uruguaio, assim como o Peñarol. Também não acho que ele vá agir com patriotada – é outra situação ridícula para um árbitro. De qualquer forma, se quisesse evitar o mínimo indício de suspeita, e afastar polêmicas inúteis, a Conmebol poderia escolher, para esta fase, apenas juízes de países que já não têm representantes na briga pelo título sul-americano.

Mas, assim como ocorreu no duelo entre Palmeiras x Corinthians no Campeonato Paulista (aquele jogo do Paulo César de Oliveira), os responsáveis pelo apito não voltam atrás, para não “sucumbir a pressões”. Preferem os riscos ao bom senso.

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