Santos faz o Corinthians perder o rumo da serra

Antero Greco

30 de janeiro de 2014 | 01h09

Tudo bem que é apenas começo de temporada. Recomenda o bom senso que não se pode vibrar em excesso com vitórias nem murchar com derrotas. Mas, quando o placar de um clássico aponta 5 a 1, não tem jeito de evitar as duas reações extremas. Por isso, dá para entender a alegria do pessoal do Santos e a ira da turma do Corinthians, após o duelo que fizeram na noite desta quarta na Vila Belmiro.

Meus amigos foi uma surra daquelas. Incontornável, indesmentível, irrespondível. O melhor mesmo foi reconhecer a superioridade santista, como fez Mano Menezes. O treinador corintiano, à falta de melhor explicação para o vexame da equipe, não enrolou ao dizer que o resultado foi “inadmissível”. Não era ocasião para vir com conversa mole, com justificativas que não levavam a nada. Seria mais chato.

O Corinthians foi um desastre, sobretudo depois de levar o terceiro gol, no início da etapa final. Já no primeiro tempo tinha encontrado dificuldade para segurar a velocidade do meio-campo do Santos e as descidas dos laterais. Não foi à toa que levou dois gols em 21 minutos (Arouca e Gabriel). O gol de Guilherme aos 23 até passou a impressão de que haveria reação e equilíbrio. Falsa ilusão.

Os corintianos seguraram a onda, em parte, ameaçaram chegar ao empate, e tiveram o mérito de tornar o jogo movimentado e agradável. Mas o castelo de areia ruiu com o gol de Thiago Ribeiro aos 2 minutos. Com 3 a 1, bateu desânimo nos jogadores de Mano, não teve mais esquema nenhum. Ninguém se entendia e o Santos cresceu, agigantou-se. A ponto de fazer outros dois gols (com Bruno Peres e Thiago Ribeiro, de novo) com naturalidade e levar a torcida a ensaiar gritos de olé.

O juiz Paulo César Oliveira até quebrou o galho ao não dar nem um minuto de acréscimo. E poderia tê-lo feito, porque houve parailisações no segundo tempo, ou por substituições ou por cartões amarelos e bate-boca entre os atletas. Preferiu mandar todo mundo tomar banho e esfriar a cabeça.

Uma goleada dessas é para animar o Santos, não há como negar. O Santos pode orgulhar-se da eficiência nos contragolpes, com destaque para a excelente atuação de Arouca. O Corinthians tem de preocupar-se com a fragilidade do sistema defensivo e da falta de criatividade no meio-campo.

Fica, de novo, a questão que já levantei aqui: será que esse time, basicamente composto pelo grupo do ano passado, alcançará guinada acentuada? E, para fechar uma pergunta: adiantava colocar Pato em campo com poucos minutos para disputar e com a goleada consolidada? O rapaz já não anda com cartaz e ainda entra nessas circunstâncias…

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