Santos na final. Domingo tem de jogar mais. Muito mais

Antero Greco

14 de dezembro de 2011 | 11h30

Ufa, não deu zebra. Desta vez não teve nenhum Mazembe para estragar festa de time brasileiro. O Santos lascou 3 a 1 no Kashiwa Reysol e agora fica sossegado à espera (muito provável) do Barcelona para decidir o título mundial. Epa, sossegado não sei bem se é o termo. Não dá para ficar tranquilo, hoje em dia, enquanto se aguarda um duelo com o time catalão. Também não dá para dormir o sono dos anjos, se erros ocorrem numa estreia.

 E houve falhas na vitória sobre o time dirigido por Nelsinho Baptista. O Kashiwa é fraco, limitado. Exceto por dois ou três jogadores, aí incluídos Jorge Vagner e Leandro Domingues, o representante da casa no Mundial de Clubes não é de botar medo em rivais potentes. Teve entrega, disciplina e seriedade. Parabéns e não esperava algo diferente. Porém, lhe falta qualidade, detalhe fundamental para o sucesso. E ainda assim o Santos levou alguns sustos.

 Não se trata de procurar pelo em ovo nem de estragar a alegria de quem agora vê como concreta a perspectiva da terceira estrela mundial. Nem vale muito a constatação de que naturalmente jogadores relaxam quando topam com adversário mais frágil, como foi o caso do Santos nesta quarta-feira.  É atenuante, mas não tira a constatação de que esperava mais do campeão sul-americano.

 A expectativa de apresentação impecável não vem por patriotada e coisas do gênero. Mas pelos jogadores que tem. Certo que o nó foi desfeito por lances individuais extraordinários ­– todos os gols santistas foram lindos, desde os dois primeiros (Neymar e Borges) até o de Danilo, numa cobrança de falta milimetricamente perfeita. Senti falta, no entanto, de mais jogo de conjunto. Se fosse uma orquestra, diria que houve belos solos e pouca harmonia geral.

Algumas observações: Elano decepcionou, Neymar teve momentos excelentes e decaiu no segundo tempo. Borges apareceu pouco, a zaga ficou exposta várias vezes. Arouca se desdobrou, Henrique correu, mas também cansou. Ganso ensaiou cadenciar o meio-campo e nem sempre conseguiu.

 Contra o Kashiwa foi possível errar, levar um gol, uma bola na trave e ver pelo menos três vezes atacantes ficarem sozinhos com chance para marcar.  Mesmo com essas cochiladas, não houve perigo evidente sequer de empate. Diante do Barcelona, mesmo pecados levinhos podem levar à condenação. Espera-se que funcione essa história de jogar de acordo com o oponente. Se for assim, então o Santos fará um jogão. Amém.

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