Santos pragmático e Palmeiras operário dividem a ponta

Antero Greco

30 de janeiro de 2011 | 20h54

Desceram a lenha no Santos, durante a semana, por ter levado cinco gols em dois jogos – nos 4 a 2 sobre o Grêmio Prudente e nos 3 a 3 com o São Caetano. O esquema foi considerado atrevido demais e perigoso para sua defesa, exposta aos contra-ataques. Pois neste domingo o campeão paulista de 2010 atuou com mais cautela, bateu o São Paulo por 2 a 0 e fez a alegria dos pragmáticos. De quebra, manteve a ponta do torneio, com 13 pontos em cinco rodadas, assim como o Palmeiras, que passou pela Portuguesa, também por 2 a 0.

O Santos preparou uma armadilha e o São Paulo caiu. O time de Adilson Baptista comportou-se como de costume – entenda-se mais agressivo – só até os 10 minutos do primeiro tempo, quando ficou em vantagem, com Elano (o quinto gol dele). Daí em diante, recuou como a maioria dos times comuns, e atraiu o adversário, para ver que bicho ia dar. Keirrison e Maikon Leite ficaram isolados na frente, enquanto o restante aguentou o tranco e a pressão.

Deu que o São Paulo foi para o ataque, até criou algumas situações de gol, mas não teve pontaria e qualidade suficientes para empatar e depois tentar a virada. Ao contrário, ainda levou o segundo, marcado por Maikon Leite aos 28 minutos da etapa final, em rebote de Rogério Ceni depois de chute de Elano de fora da área. Só não tomou o terceiro, na sequência, porque Leo se enroscou na conclusão e Rogério defendeu. O São Paulo teve mais domínio, ficou com a bola por tempo superior ao do Santos, mas não soube transformar essa supremacia em gols. Falta-lhe um matador.

O Santos venceu sem dar espetáculo, mas seu futebol também não foi feio. Felizmente, pelos jogadores que tem, não consegue ser um time “cascudo”. A perspectiva de crescimento existe, com o torneio, mais adiante, de Arouca, Neymar e Ganso. É candidato ao título.

Reação verde. Como aos poucos se consolida também o Palmeiras. O elenco que Felipão tem nas mãos está longe de ter variedade e de ser brilhante. Há menos estrelas e mais ‘operários’ da bola. Com qualidade média, sem muita firula e na base da entrega, coleciona bons resultados. Depois do desempenho horrível no empate de estreia (0 a 0 com o Botafogo), enfileirou quatro vitórias e está em situação confortável.

Nos 2 a 0 sobre a Lusa, passou o sufoco habitual, contou com boas defesas de Marcos (fez o segundo jogo consecutivo) e desatou o nó só no final, com gols bonitos de Cicinho (aos 36 minutos) e Kleber (aos 46). Thiago Heleno teve sua chance na zaga, já que Danilo vai embora. Também foram aproveitados os recém-chegados João Vítor e Pardalzinho, que virou Max Santos. O trio foi discreto, ou seja, seguiu o tom do time.

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