Santos tem pouco tempo para curar feridas

Antero Greco

25 de junho de 2012 | 12h57

O Santos sofreu baque, com a eliminação na Taça Libertadores. Campeão do ano passado, semifinalista neste, imaginava-se a levantar o troféu pela quarta vez na história. A ressaca, portanto, é normal. Leva algum tempo para jogadores, comissão técnica e até torcida se recomporem da decepção provocada pela queda diante do Corinthians.

O reflexo ocorrerá no Campeonato Brasileiro, a competição que corre paralela àquela continental. Raros são os times que caem fora da Libertadores (ou mesmo que conquistam o título) e imediatamente engrenam na Série A nacional. É preciso respirar, retomar o fôlego, reordenar os sentimentos. É um bom momento para perceber que ninguém é máquina.

Mas, como o calendário é duro, esse tempo para recomposição é curto. A paciência dos fãs também não costuma ser generosa. O Santos pode lamber as feridas, ter dó de si mesmo por outras duas rodadas, mais ou menos. Depois, se tiver pretensões de sucesso ainda nesta temporada, precisa chacoalhar a tristeza e empregar concentração total no Brasileiro.

Concentração que não apareceu no domingo, no empate por 2 a 2 com o Coritiba. A turma de Muricy Ramalho reapareceu na Vila Belmiro com evidente ar estressado, desiludido. E a consequência foi apresentação instável diante dos paranaenses. O meio-campo esteve irregular, a defesa em vários momentos bateu cabeça e a derrota só não aconteceu porque a arbitragem anulou gol legítimo de Pereira, quase no fim do jogo.

A boa notícia foi o empenho de Neymar. O rapaz voltou a ser o melhor do time, o que deu mais trabalho para o adversário (fez um gol, deu passes, sofreu faltas, finalizou). Pareceu ter superado o trauma da desclassificação na Libertadores. Logo estará no topo do torneio.

Um Neymar só é pouco. Elano, por exemplo, teve mais uma participação discreta – e, pelo visto, a tendência é tornar-se uma espécie de Marcos Assunção santista. A participação mais eficiente dele tem sido nos lançamentos e nas cobranças de falta. No ataque, Alan Kardec está de saída e Borges murchou. Falta, portanto, um companheiro para Neymar na frente.

A tendência é a de que problemas se acumulem – Muricy e os dirigentes sabem disso. Haverá uma fase de transição. Mas que seja curta, sob o risco de o Santos não passar de coadjuvante no Brasileiro e ver afastado o sonho de retornar à Libertadores em 2013. Por enquanto, vai mal das pernas: com 4 empates e duas derrotas é antepenúltimo…

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