Santos vai do sonho à realidade pior que pesadelo

Antero Greco

18 de dezembro de 2011 | 10h32

O Santos sonhou com o terceiro título mundial e acordou com uma realidade mais dura que o pior dos pesadelos: surra de 4 a 0 para o Barcelona, fora o baile, como se dizia no meu Bom Retiro de antigamente. O supertime espanhol deu mais um show, uma aula de futebol, uma exibição antológica. Conseguiu transformar mais uma disputa importante em tarefa fácil.

Messi e seus súditos jogam tanto que qualquer adversário parece timeco de churrasco de fim de semana. Time formado depois de festival de picanha, maminha e farofa, com todo mundo de pança cheia e tanque repleto de cerveja. Ou seja: mal se consegue ver a cor da bola, quando aquele exército de azul e grená começa a tocar pra lá e pra cá.

Caramba, tem coisa errada aí: o Barça não joga com 11, mas com uns 18, 19. É bom que os rivais e os árbitros comecem a prestar atenção nisso. Tem algum truque que não foi possível descobrir ainda: cada vez que um coitado adversário pega na bola tem 3, 4 barcelonistas em cima. E, quando roubam a bola, aparecem mais uns 6 ou 7 no ataque. Aí tem mágica!

A mágica do Barcelona se traduz em entrega, desdobramento, múltiplas funções da maior parte dos titulares. E, claro, da qualidade deles. Não há um jogador grosso na orquestra dirigida por Pep Guardiola. Não tem um perna de pau, um botinudo, um cabeça de bagre. E, para completar, ainda tem Messi! Daí vira covardia. O argentino joga demais, desequilibra, encanta, hipnotiza os marcadores. Dá o ritmo ao time.

Pois foi Messi que iniciou a demolição do Santos com o gol aos 17 minutos. A equipe de Muricy Ramalho, toda preocupada em marcar, repetiu o erro dos que pretendem parar o Barça dessa forma. Resultado: encolheu-se, deu espaço e levou o primeiro. Sentiu o baque, a ponto de sete minutos mais tarde tomar o segundo, com Xavi.

Daí o que era natural virou moleza. O Barcelona aumentou o percentual de posse de bola (chegou a 76% contra 24%), toca daqui, toca dali e fez o terceiro com Fábregas aos 45. O Santos tentou reagir no segundo, teve algumas arrancadas, deu um calorzinho nos catalães, mas ainda levou o quarto, também de Messi, fora duas bolas na trave.

Resumo: o Barcelona é demais. E ainda há quem o considere “monótono”. Ah, faça-me o favor…

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