São Paulo e Palmeiras não afundam e fazem clássico aceitável

Antero Greco

27 de fevereiro de 2011 | 21h20

Quando despencou aguaceiro, meia hora antes do clássico, pensei: “São Paulo x Palmeiras já era.” Não havia a mínima condição de a bola rolar. Quando o juiz Marcelo Ribeiro de Souza decidiu que haveria jogo, 70 minutos após o horário inicialmente previsto, imaginei que seria uma enorme decepção. Quer saber: não foi. Descontados todos os problemas, vi partida movimentada, bem disputada e com 1 a 1 justo.

O Palmeiras largou melhor e tratou de trocar passes, mesmo na grama pesada (se bem que a drenagem funcionou à perfeição). O São Paulo demorou um pouco a equilibrar-se e não faltaram divididas mais ríspidas e um bate-boca aqui, outro ali. Normal, pela tensão dos jogadores com o joga-não-joga, e pelo campo molhado. Nada, porém, fora do comum em jogos do gênero e naquelas condições.

O mérito de Luiz Felipe Scolari foi o de ter feito vigilância atenta sobre Lucas, Fernandinho e Dagoberto. O três tiveram pouca liberdade para criar – sem contar que têm na velocidade uma de suas armas letais. Mas justamente num dos raros momentos em que Fernandinho ficou sem Márcio Araújo na sua sombra é que saiu o gol. Um lindo gol, por sinal, que fez até os refletores do estádio apagarem.

O Palmeiras também sofreu um black-out, tão logo o clássico foi reiniciado, após mais 17 minutos de interrupção, e o São Paulo vacilou. Fosse mais esperto poderia ter ido para o intervalo com vantagem mais folgada. Felipão fez seu time voltar com uma novidade – Leandro Amaro no lugar de Danilo – e com isso recompôs a defesa. Voltou a ter equilíbrio no setor.

O  jogo começou a mudar de fato com a entrada de Adriano Michael Jackson na vaga de Luan. No primeiro lance, ele dividiu com Alex Silva, caiu e o juiz mandou seguir. O zagueiro resolveu enquadrar o Michael Jackson com um chega-pra-lá e levou vermelho. Descontrole bobo, que poderia ter sido punido só com amarelo. Pior para o São Paulo, que foi pressionado (Rogério Ceni fez duas defesas díficeis), teve de recuar e sofreu o gol de empate aos 38 minutos. Marcado por quem? Pelo Michael Jackson, que ainda comemorou com dancinha.

Lamento apenas que o campo pesado e as circunstâncias do jogo fizeram com que Rivaldo entrasse só nos 15 minutos finais. E justamente em substituição a Lucas. Queria muito ter visto ambos juntos – mestre e aluno lado a lado. Fica para a próxima. Se Paulo César Carpeggiani também tiver coragem para tamanha ousadia.

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