São Paulo no contragolpe

Antero Greco

20 de abril de 2016 | 23h51

O são-paulino ficou aborrecido com a desclassificação no Campeonato Paulista. Não é para menos – dói sair fora com uma surra, ainda mais para adversário sem tradição. E mais: o Audax foi superior do começo ao fim, no domingo, fez 4 a 1 e poderia ter vencido por diferença maior. De qualquer forma, fica o sentimento de humilhação.

O tropeção foi constrangedor, não há dúvida. No entanto, pode ser relevado desde que venha a compensação nesta quinta-feira. A torcida estará com atenção voltada para o jogo contra o The Strongest, em La Paz, que vale vaga para as oitavas de final da Libertadores.

O empate basta para garantir o avanço tricolor. Eventual derrota dá um lugar para a equipe boliviana e fará o São Paulo torcer para que o River Plate perca em casa para o Trujillanos. Convenhamos, essa hipótese equivaleria a uma manada de zebras a passear em Buenos Aires. Fora de cogitação, portanto. Melhor colocar na cabeça que é necessário ao menos empatar.

O problema está na incômoda “interrogação” que voltou a acompanhar a turma de Edgardo Bauza após o fiasco em Osasco. O São Paulo foi horrível diante do Audax, exagerou nos erros, colocou-se mal em campo, não soube marcar e tampouco pressionar. Expôs-se demais, quando foi à frente, esteve vulnerável ao tratar de defender-se.

A sequência de erros custou vaga no Estadual e, se for repetida, o afasta de torneio que desde os anos 1990 se tornou sua obsessão e especialidade. A pressão retornará, e forte, em caso de “tragédia” nos 3800 metros da capital da Bolívia. Sobrará até para Bauza, contratado no início da temporada com base em seu retrospecto sul-americano, com os títulos que conquistou com clubes modestos como LDU (Equador) e San Lorenzo (Argentina), por ironia desclassificados da edição deste ano.

O zagueiro Lugano alegou, no começo da semana, que a oscilação se deve ao esforço ao qual o elenco tem sido submetido. O uruguaio constatou que a tropa é pequena diante de tanta exigência. Não deixa de ter razão. De fato, o São Paulo não tem elenco numeroso como, por exemplo, o Palmeiras, devidamente eliminado da Libertadores.

Mas o Corinthians também não tem farta oferta para Tite e ainda assim se classificou com pé nas costas, tanto na Libertadores como no Paulista. Com um detalhe adicional: perdeu meio grupo titular entre dezembro e início de fevereiro. Como explicar tamanha diferença? Competência na reposição, trabalho do treinador e colaboradores, qualidade dos jogadores. Tudo isso e mais um pouco, que talvez esteja em falta no Morumbi.

O São Paulo volta a ter semana tensa. Com a atenuante de que depende apenas de si para afastar desconfiança e cobranças. Não é fácil jogar em La Paz. Mas, caramba, tem de colocar na cabeça que The Strongest não é tão forte como sugere o nome em inglês. Inteligência, ordem, calma e atenção serão suficientes para espantar o fantasma boliviano. E pontaria, sobretudo no contragolpe.

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