Seleção continua a descer a ladeira

Antero Greco

27 de junho de 2015 | 21h14

Dunga, assessores e jogadores costumam fazer bico, quando ouvem críticas à seleção. Alegam, de maneira exaustiva, que há má vontade, impaciência, prevenção e outros sentimentos negativos em relação à equipe que representa o Brasil. A prática tira a razão dos bravos convocados pela CBF.

O futebol da turma só entusiasma os fanáticos de plantão, e olhe lá. Pois anda feio como a fome, por mais que se sustente em resultados, em vitórias em amistosos, em classificações como as que têm ocorrido na Copa América. O tal pragmatismo, tão ao gosto do treinador atual e seus antecessores, é de doer.

O sofrimento, o pão-durismo, a falta de ousadia deram as caras no início da noite de ontem, no duelo com o Paraguai, pelas quartas de final da competição continental. A seleção adoçou a boca do público com o gol de Robinho – em bonita jogada – e com pressão no minutos seguintes. Parecia que, depois de início lento, iria impor-se e passar de maneira garbosa para a semifinal para enfrentar a Argentina.

Engano, ilusão que a primeira neblina de Concepción levou. À medida que o tempo passou, o time se acomodou diante de um rival limitado, que tinha como alternativa, bolas longas ou pelo alto, fora desmedida vocação para defender-se. Quando mais se esperava que Robinho, Willian, Firmino e outros explodissem, aí que ficou no traque mesmo. Comodismo, toques pra cá e pra lá, desleixo, contenção.

Ou, o que é mais preocupante, é o máximo que o Brasil consegue no momento. A queda técnica no segundo tempo foi mais intensa do que a descida da temperatura na região central do Chile. A partida arrastou-se, adaptou-se ao que queriam os paraguaios, e complicou para a amarelinha.

Nenhum chute perigoso, tampouco tentativa de dribles, de tabelas, de lances emocionantes. Nada que revelasse uma equipe em crescimento, segura e madura, como atesta o técnico. Quer dizer, emoção quem proporcionou foi Thiago Silva, ao cometer falta tola na área, que permitiu o empate e levou a decisão para os pênaltis. Daí veio festival de erros, com castigo final e adicional da desclassificação melancólica.

A quem querem enganar com desculpas esfarrapadas como apagão, virose, cartinhas da Dona Lúcia? Chega, já encheu