Seleção convocada. E só

Antero Greco

17 de setembro de 2015 | 13h53

Dunga convocou a seleção para o início da caminhada para o Mundial de 2018, e isso não altera o ritmo de vida do País. Soou mais como ato burocrático: divulgação da lista, explicações de praxe, uma ou outra surpresa, esta ou aquela ausência, a programação e vida que segue.  Neymar ficou fora por suspensão de dois jogos.

Para alimentar um pouco os debates na tevê e no rádio – pois sempre é necessária uma pitada de polêmica – destaca-se a lembrança de Renato Augusto. O meia do Corinthians foi chamado pela primeira vez, na atual gestão, em função do momento excelente no Brasileiro. Justiça lhe foi feita, pois se trata de jogador que assumiu a liderança do líder do campeonato. Ponto.

No mais, não há comoção nos nomes que treinarão para os jogos contra Chile (dia 8, em Santiago) e Venezuela (dia 13, em Fortaleza), na arrancada para a Rússia. No gol, Jefferson (Botafogo) permanece como titular, com Grohe (Grêmio) e Alisson (Inter) como alternativas. O trio trabalha bem, e há safra de goleiros muito boa por aqui.

Nas laterais, Fabinho (Monaco) e Rafinha (Bayern) ocupam lugares que seriam de Danilo (Real) e Daniel Alves (Barça), se não estivessem contundidos. Na esquerda, Filipe Luís (A. Madri) e Marcelo (Real Madrid), já esperados.

Na zaga, Thiago Silva ficou fora de novo. O capitão da seleção no Mundial joga muito, mas já há algum tempo oscila, sobretudo na seleção. A preferência recai sobre David Luiz e Marquinhos (ambos do PSG), Gil (Corinthians) e Miranda (Inter de Milão). Algum debate?

No meio-campo, estão os costumeiros Luiz Gustavo (Wolfsburg), Fernandinho (Manchester City), Elias (Corinthians) para o trabalho de marcação. Na armação, além de Renato Augusto, vêm Douglas Costa (Bayern), Lucas Lima (Santos), em ascensão e que logo irá embora (podem anotar), Willian e Oscar (Chelsea) e Philippe Coutinho (Liverpool). Jogar na Inglaterra sempre dá status.

Na frente, Hulk (Zenit), Lucas (PSG, porque agora voltou a “jogar como antes”) e Firmino (Liverpool), um dos prediletos de Dunga.

Não estão Pato (São Paulo) nem Ricardo Oliveira (Santos). Fazer muitos gols no futebol brasileiro não dá status. Dá mais peso quando se marca contra Angers, Troyes, Krasnodar, Bournemouth do que Joinville, Ponte Preta, Goiás…

O Brasil terá trabalho para ficar com uma das vagas? Sim, claro, por limitações próprias e por evolução dos demais. Não se classificará? Mais fácil ter um Prêmio Nobel brasileiro do que não se garantir com 4 vagas (mais a repescagem) para 10 concorrentes.

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