Seleção da Copa-14 nascerá na Suécia?

Antero Greco

30 de julho de 2012 | 16h32

Mano Menezes e seus rapazes ainda estão na rota do ouro olímpico. Mas, por razões regulamentares, o treinador da seleção brasileira teve de divulgar hoje a lista dos jogadores convocados para o amistoso do dia 15 com a Suécia, em Estocolmo. A partida será realizada 4 dias após a final nos Jogos de Londres e, espera-se, com o Brasil presente.

O compromisso com os suecos oficialmente servirá como despedida do Estádio Rasunda, onde em 1958 o Brasil ganhou o primeiro dos cinco títulos mundiais. Ano também em que surgiu e se espalhou internacionalmente o mito do Rei Pelé. Nesse local, pode nascer também a seleção que vai representar o País na Copa, dentro de dois anos.

Na verdade, a equipe está em gestação desde que Mano assumiu o lugar de Dunga, dois anos atrás. Disputou uma infinidade de amistosos e uma Copa América. Mas a campanha na Olimpíada e os jogos até a Copa das Confederações do ano que vem serão fundamentais para determinar os eleitos para tentar a conquista do sexto título, desta vez em casa.

A lista tem o retorno de alguns preteridos para a aventura na Inglaterra, mas com chances de consolidar a condição de titulares para o Mundial. Casos de Daniel Alves, Dedé, Ramires e até de Paulinho. Os quatro são nomes fortes, independentemente do sucesso que possam alcançar aqueles que no momento estão a serviço da seleção nos Jogos.

O gol é que me parece posição com ponto de interrogação. Mano chamou Neto (Fiorentina), Renan (Atlético-MG) e Gabriel (Milan). Sinceramente, nenhum dos três aparenta ter estofo suficiente para segurar a onda na Copa. Nem Rafael, do Santos, e cortado por contusão. A camisa 1, salvo engano, ainda está com a disputa aberta e sem dono.

Imagino também um lugar vago no meio-campo e outro no comando do ataque. No meio, Ramires, Paulinho e Oscar ganham espaço. Na frente, Neymar é indiscutível. Falta uma quarta vaga no meio (talvez para Sandro ou Rômulo) e outra no comando do ataque (Leandro? Pato? Jonas? Hulk? Não há consenso.)

Curiosa a postura do técnico em relação a Ralf. Elogia o camisa 5 do Corinthians, mas o considera “conservador”, ou seja, limitado. Pode ser, mas é inegável que forma com Paulinho uma das melhores duplas de meio. Ora, e não daria certo assim na seleção? Tenho minhas dúvidas.

Um exercício de futurologia, apenas, me levaria a ver hoje o Brasil com: Neto; Daniel Alves, Thiago Silva, Dedé e Marcelo; Ramires, Sandro/Rômulo, Paulinho e Oscar (com Ganso correndo por fora); Neymar e Pato.

Não gosto de grupos fechados, tem água pra rolar. Mas a espinha dorsal, pelo menos, precisa ser definida com urgência. O amistoso na Suécia, até pelo significado emblemático, pode ser o início desse processo de refinamento dos manos de Mano.

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