Seleção olímpica de futebol deixa boa impressão

Antero Greco

30 de julho de 2016 | 20h45

Vejam bem, é apenas uma impressão. Boa. De verdade.

A seleção brasileira venceu o Japão, por 2 a 0, no estádio Serra Dourado, e deixou no ar de Goiânia a expectativa de que o futebol nacional tem jeito. Claro que todos podem dizer: a equipe japonesa não é lá essas coisas, foi um simples treino, os meninos procuraram evitar o choque. Afinal, a estreia na Olimpíada está logo aí contra a África do Sul.

Tudo isso é real.

Mas existem muitas diferenças entre este jovem Brasil e o time de Dunga, por exemplo. A começar pelo fato de que uma é “Olímpica” e a outra era “Principal”. Também a postura do técnico Rogério Micale, um professor de verdade, que parece não sofrer com o transcorrer de uma partida. Está à beira do campo para orientar, não para se esvair em palavrões ou murros no ar.

Certo, um simples jogo treino!

Mas Micale iniciou a partida com muita gente boa de bola do meio-campo para a frente. De certa forma – e sendo saudoso e otimista -, lembra aqueles times de Telê Santana, que primavam pela elegância e pela ausência de jogadores limitados, que sabiam apenas marcar. Até mesmo Elzo, na Copa de 86, sabia muito bem o que fazer com a gorduchinha nos momentos de sair jogando.

Dá gosto ver que o ataque tem Neymar, Gabriel Jesus e o objetivo Gabigol. Dá para escalar três atacantes no time. Mesmo com Neymar em ritmo de pré-temporada e um tanto fominha.

Nos primeiros 45 minutos foram dois gols, duas bolas na trave, uma grande defesa do goleiro do Japão. E mais a posse de bola, com um jogo verticalizado, fluente, sem floreios.

E o primeiro tempo bastou.

Foi suficiente para sinalizar com novos tempos em todo futebol brasileiro. Pois é lógico que na seleção principal, Tite vai repetir o roteiro. Chega de brucutus, pontapés e um jogo amarrado, que nos levou aos desastres das últimas competições.

Há jogadores e técnicos capazes vestindo a camisa amarela.

Que a Olimpíada do Rio marque novos tempos. Independentemente de ouro ou não.

 

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