Seleção tira a barriga da miséria

Antero Greco

11 de agosto de 2016 | 00h11

Ufa, acabou o jejum – e com direito a (quase) congestão. A seleção brasileira tirou a barriga da miséria e, depois de 0 a 0 contra África do Sul e Iraque, descarregou um caminhão de melancias sobre a Dinamarca: 4 a 0. E o mais interessante, com bom futebol, como se viu na noite desta quarta-feira em Salvador.

O Brasil passou do risco da desclassificação a primeiro do grupo A com apenas um jogo bem jogado.  E graças a algumas alterações feitas por Rogério Micale. Ele voltou a ter quatro jogadores de frente, só que em distribuição diferente. Deixou Luan, Gabibol e Gabriel Jesus formando o “3” do esquema, com Neymar na função de “1”. Na marcação, sobraram Renato Augusto e Wallace. A defesa permaneceu intacta.

Nenhum grande segredo, portanto; apenas ajustes e a bola rolou fácil. Quer dizer, entraram também em cena outros o ânimo dos jogadores e a qualidade do adversário. A rapaziada brasileira estava mordida pelas críticas das apresentações anteriores e correu como nunca. Além disso, os moços toparam com uma Dinamarca que é ruim de doer.

Nível dinamarquês à parte, interessa que saíram as tabelas, os deslocamentos foram intensos, a pontaria foi apurada. Luan jogou muito, assim como Neymar, que não mandou a bola para as redes, porém participou da maioria dos melhores lances. A festa dos gols ficou para Gabigol aos 25 e Gabriel Jesus aos 30 minutos do primeiro tempo. Luan aos 5 e Gabigol aos 36 da etapa final.

O resultado foi excelente, óbvio. Só despreza goleada quem for ruim da cabeça. Porém, a ressaltar foi a produção. Por mais que Micale e atletas dissessem que o Brasil jogou bem nos empates, a realidade era bem diferente. O time mostrou-se no mínimo intranquilo naquelas ocasiões. Mereceu restrições e vaias.

Desta vez, teve postura de vencedor, autoconfiança. Sobretudo, jogou bola. Simples, não parece? E às vezes é.

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