Sem conta fechada

Antero Greco

31 de março de 2018 | 20h14

Meus amigos palmeirenses e corintianos, não venho aqui para iludir nem secar ninguém. Quem sou eu para tirar alegria de quem quer que seja ou afundar a tristeza dos outros. Só digo uma coisa: não fechou ainda a conta nessa pendenga entre Corinthians e Palmeiras.

Evidente, óbvio, está na cara que a rapaziada palestrina deu passo enorme para o título, com o 1 a 0 deste sábado de Aleluia. Ainda mais por ter sido na casa do adversário. Placar que enche de moral para a volta, domingo que vem, no Allianz. Momento desejado há 19 anos, desde a última vez em que a taça do Estadual foi decidida no dérbi.

Mas engano mortal imaginar que o Corinthians já era. Besteira cair nessa lorota. E não se trata de lugar-comum. Nunca, mas nunca mesmo, se pode cravar como irreversível um deslize quando esses rivais estão na parada. Assim como, claro, não imutável a vantagem.

Não é média com lado nenhum; apenas bom senso, com base na história.

A primeira parte, porém, mostrou dois fatos, que merecem registro. Vamos lá. O Palmeiras esteve irretocável no começo, ao partir para cima e chegar ao gol, com Borja. Depois soube aguentar o tranco, sem muito sofrimento. Deu campo para o Corinthians e buscou o contra-ataque. Teve até chance de fazer o segundo e, aí sim, o estrago seria estupendo.

Roger agiu bem ao não inventar nada e se limitar à volta de Borja no lugar de Keno, Não mexeu na maneira de jogar que tem dado certo. Com a diferença de que o time foi vigilante do início ao fim. Jaílson apareceu pouco.

Outra constatação: o Corinthians tem esquema eficiente, mas se enroscou de novo ao trombar com um adversário que marca forte. Tinha sido assim contra o São Paulo, e Roger percebeu o calcanhar de Aquiles. E que falta faz um jogador como Jô!

Para complicar, Rodriguinho não brilhou, Sheik sumiu e Clayson tomou vermelho de bobeira. (Aliás, na confusão, os corintianos perderam mais, porque viram o ataque enfraquecer. Já o Palmeiras manteve a pegada, mesmo sem Felipe Melo, pois Moisés entrou bem.)

Tecnicamente não foi um dérbi maravilhoso. Teve emoção, é verdade. Mas esperava mais futebol. A fatura está aberta, tem espaço para emoção na semana que vem no Allianz.

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