Será que agora o Todo-Poderoso do futebol brasileiro vai se preocupar?

Antero Greco

14 de agosto de 2011 | 01h54

Até os faraós, com sua incomensurável mania de grandeza, sabiam que o poder cega e é temporário. Um dia acaba e todos viram pó (ou, como eles, no máximo viram múmias). Não sei quando terminará o reinado do cartola-mor do futebol nacional, mas é cada vez maior a rejeição a sua atuação. Na noite deste sábado, recebeu um golpe na autoconfiança com a reportagem de cerca de 3 minutos do Jornal Nacional com denúncias de irregularidades em amistoso do Brasil com Portugal disputado no fim de 2008 em Brasília.

A história se arrasta, há investigações ainda em andamento, mas o fato novo e marcante é a postura do JN e, por extensão, da Rede Globo. O telejornal mais importante da emissora mais influente do Brasil foi citado pelo dirigente em recente e rumorosa entrevista concedida à Piauí. Você lembra? O dirigente dizia que se lixava de montão para o que dissessem dele vários veículos de comunicação, como Lance!, ESPN, Folha de S. Paulo. Ficaria preocupado só quando surgisse algo no JN – o que talvez estivesse longe de ocorrer.

Pois o JN abriu espaço para reportagem negativa à imagem do Inatacável e, quem sabe, agora ele perca alguns minutos de seu sono? Não é motivo, ainda, para soltar rojões. No entanto, não se pode negar que é um episódio significativo, que vem se juntar às manifestações populares, que se espalham por grandes cidades, e também à postura da presidente Dilma Rousseff, que não faz questão nenhuma de ter relacionamento amistoso com o cartola.

Não sou otimista de carteirinha, tampouco me vejo no bloco dos pessimistas. Digamos que, em certos temas, mantenho ceticismo saudável. Mas acredito com firmeza que não há mal que sempre dure. No mínimo, porque o tempo é o mais implacável marcador. Ele chega para qualquer um – até para cartolas que se julgam eternos.

Tudo o que sabemos sobre:

CBFJornal Nacional

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.