Show não se repete, mas a seleçãozinha amadurece

Antero Greco

21 de janeiro de 2011 | 03h02

Eu, você, seu vizinho e qualquer um que ame o futebol, queremos sempre ver nosso time vencer, de preferência de goleada e deixando os adversários de queixo caído. Quando se trata de seleção, o desejo vira obsessão. Mas não é toda hora que os espetáculos acontecem. O Brasil Sub-20 estreou acima da expectativa nos 4 a 2 diante do Paraguai, na segunda-feira, e na noite desta quinta (já madrugada de sexta-feira pelo horário de Brasília) voltou a campo como favorito contra a Colômbia. A moçada do Ney Franco não decepcionou no resultado – ganhou de 3 a 1 –, só que não passeou como no jogo anterior.

O duelo com os colombianos foi mais equilibrado, tenicamente melhor e menos violento do que aquele da rodada inaugural. A seleção se apresentou com esquema mais atrevido, com William José, Neymar e Diego Maurício no ataque, mas emperrou no primeiro tempo. Não criou tantas oportunidades como se imaginava e ainda suou além da conta no meio-campo. De qualquer forma, mostrou amadurecimento, sobretudo ao superar a tensão pelo fato de os gols não surgirem com facilidade. Com isso, soube construir uma vitória consistente.

Neymar o tempo todo teve dois na marcação, levou alguns safanões, mas nada que se compare à desesperada truculência paraguaia. O santista entendeu o recado e poupou as canelas ao soltar mais a bola. Na aparência, brilhou menos, porém aumentou a eficiência e em vários momentos desconcertou os marcadores. Distribuiu mais o jogo, abriu espaços e foi premiado com um belo gol, aos 41 minutos, para fechar o placar e deixá-lo como artilheiro do torneio, com 5. Os outros gols, todos no segundo tempo, foram de Casemiro (aos 9), William José (aos 15) e Cardona, de pênalti (aos 20).

Gostei da opção de Ney Franco por estratégia mais ofensiva. O Brasil tem rapazes habilidosos no ataque e deve testá-los numa competição como o Sul-Americano, em que fará nove jogos, a maioria contra rivais de menor qualidade. O treinador mostrará atrevimento se não abrir mão quando topar com equipes mais bem preparadas, como fez no choque com a Colômbia. Só dessa forma, saberá se a experiência pode consolidar-se e virar marca desse time – como já foi um dia característica do futebol nacional. Torço para que assim seja.

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